terça-feira, 8 de dezembro de 2015

VII Bienal do livro de Alagoas (livos), Antônio Saracura

VII BIENAL LIVRO DE ALAGOAS (livros), Antônio Saracura, novembro de 2015, em Maceió Alagoas.


Um dos expositores disse-me que havia cem stands, como os dois que alugara, vendendo livros a preços módicos. Concorrência pesada. Comecei a contar, mas me perdi por volta dos quarenta e sete. Ele era originário de São Paulo, de onde trouxe duas carretas de livros. Esperava retornar com farinha de mandioca, tapioca para beiju e coco da Bahia. Assim como esse, outros vieram do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, do Brasil todo. São mascates de bienais.
- Como consegue vender livros a um preço tão baixo?
Referia-me ao stand onde todos os títulos custavam um real. O empresário respondeu:
- Trabalho com distribuição de livros de várias editoras. A maior parte desse acervo é formada de saldos vencidos, sobras de estoque, títulos fora de moda. Mas, no meio, há muito livro atual, para atrair e conferir credibilidade ao negócio.
Fui conferir os tabuleiros de livros. Como resistir,se sou, desde pequeno, rato de livraria? Comprei alguns queijos, entre os quais: 
“Juiz de Paz da Roça e outra peças”, de Martins Pena.
(Textos integrais do fundador do Teatro Nacional. Além da peça do título, inclui 
Quem Casa quer Casa e O Inglês Maquinista).

“Primeiras Vezes e o Primeiro Momento”, de Amir Matos.
(Muito curioso; lista todas as primeiras vezes em que aconteceram fatos no Brasil e no mundo).

“Cabeça de Bagre”, de Ari Riboldi.
(Traz uma coletânea de termos, expressões e gírias do Futebol).

“Gírias de Todas as Tribos”, de Karin Fusaro.
(todas as gírias usadas pelo povo, organizadas por segmento que o autor chama tribos. Karin é colunista do Estado de São Paulo e tem programa na Rádio Eldorado AM).

E outros...

No último dia da feira, aquele stand com livros a um real, abaixou para três por dois reais. Clientes saíam de saco cheio (no sentido lato da expressão).
Em outro stand, comprei “Terra Vermelha”, de Domingos Pellegrini, autor premiado com o disputado Jabuti. Paguei somente dez reais. Este livro é um trava em meu olho, pois tive que arrumar um novo título para o livro que escrevi sobre meu povoado em Itabaiana, que se chama Terra Vermelha. Mas Pellegrini chegou primeiro, contando a saga dos pioneiros que desbravaram o Paraná e ergueram uma das maiores cidades do Brasil, Londrina.
Não abri mão da “Terra Vermelha”, mas acrescente-lhe “Tambores” para remeter o leitor ao passado também heroico. E Tambores, por sua vez, também foram uma trava, no outro olho, na fase de batismo do meu livro. É que Josué Montello já escrevera um clássico chamado “Os Tambores de São Luis”.
Tanto o livro de Domingos como o de Josué, li-os na fase de nomeação do meu. Ao final das leituras, resolvi convidar, à revelia dos autores, os dois sucessos literários, “Terra Vermelha” e “Tambores de São Luiz” para serem padrinhos simbólicos do meu “Tambores da Terra Vermelha”, que se transformou em um sucesso também. As pessoas dizem-me que acabaram de ler um dos melhores livros de suas vidas. Eu acredito na sinceridade das palavras e do gesto. Quem, se não tivesse um motivo forte, sairia correndo, após ou no meio de uma leitura, para elogiar a obra de um autor desconhecido?
Mas retornando a Bienal, para encerrar logo esta crônica que não quer acabar.
Comprei livrinhos de cordéis de Jorge Calheiros (estava com um movimentado stand), de Salvano Gabriel, de Marinalva Bezerra de Menezes (Querindina) e de Antonio Rocha (Macambira). Estes dois últimos circulavam nas alamedas caracterizados com seus chapéus de meia lua e me lembraram dois menestréis encantados...
Do grupo de autores que disputou comigo os clientes que saíam correndo da Feira, no último dia, nas últimas horas, eu consegui, via escambo mesmo:
“Inesquecível”, de Mônica Oliveira, um romance que ultrapassa a barreira do tempo (ainda não li).
“Cantos Perdidos”, de Cleide Vanderley, poesias e contos (que está no escaninho de leitura de minha esposa).
“Um amor inesquecível”, de Samuel Soares, romance de um autor de 14 anos (ainda não li, deve ser novo demais para meus setenta).
“Mágoas Amargas”, de Djalma Araujo da Silva Gama, um carequinha maduro (como eu) com um romance massudo que promete muito, pelos trechos que pesquei ao léu.
“Enquanto as Nuvens Passam”, de Zélia Tenório de Araujo, uma poetisa do lar assim como Cora Coralina, com família criada, mãe do doutor Evilásio Filho, Juiz de Direito atuando em Sergipe (Propriá). “Se alguém me escutar, direi: nada foi em vão”.
No apagar das luzes, quando fui pagar os cinco reais do estacionamento, encontrei um escritor conhecido de outras bienais e feiras literárias (Bienal do livro de Itabaiana), Ronaldo Pereira, o Ron Perlin premiado pela Secult em 2010 com o livro “Laura”. Como sempre, ele estava acompanhado da digníssima esposa, ela e ele professores em Cedro de São João, Sergipe. Ronaldo retirou do bornal o livro “Viu o Home?”, fez uma dedicatória, e deu-mo, sem cobrar nada. Foi o mais barato de todos.

É um livro de crônicas engajadas, falando de política e das pilantragens nela. Li quase todo. Uma leitura agradável: séria, leve, divertida. Ingredientes conflitantes, mas bem administrados pelo autor.

2 comentários:

  1. Caro Jesus,
    Meus parabéns pela sua incursão nas terras do Marechal Deodoro. Num futuro bem próximo muitas histórias sairão desta sua cachola privilegiada, tenho certeza.
    Um abraço do amigo.
    Expedito

    ResponderExcluir