sexta-feira, 4 de março de 2016

Fragmentos da 23 Bienal do livro de São Paulo, Antônio Saracura

FRAGMENTOS DA 23 BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO, Antônio Saracura, São Paulo de 23 a 31 de agosto de 2014



Eu estive lá. O que vi, não caberia cinco páginas inteiras. Catei alguns fragmentos, como cavacos secos para acender a fogueira da nossa III Bienal do Livro de Itabaiana, que está confirmada para Outubro de 2015.

xxx

As editoras estavam arrumadas em filas, das mais badalada, às iniciantes, de quem nunc a ouvira falar. Livrarias (com o acervo nobre e a bagaceira descartável). Chamou-me a atenção stands enormes e vazios das associações de escritores (onde estariam os sócios que pagaram?).

Palestras, debates, oficinas.
A “Arena Cultural”, o maior de todos os palcos, em contato direto com o zoar da feira, onde se apresentaram as estrelas, como Maurício de Souza. A Praça da Palavra, o Salão de Idéias, a Escola do Livro, Cozinhando com Palavras, o Espaço Imaginário, a Praça de Histórias.
Assisti à alguns debates: “O Território da Língua Portuguesa” onde estiveram Abdulai Sila, da Guiné Bissau, a portuguesa Inês Pedrosa, Luiz Rufallo, brasileiro; todos sob a batuta da brilhante Suzana Ventura.  Depois, “Cinema Militante, a Crítica Visual do Mundo”, onde Tatá Amaral (Um Céu de Estrelas) admirável, ponteou. Em “Das Páginas Para a Tela”, senti a correria dos roteiristas da televisão: Maria Adelaide Amaral, George Moura e Marçal Aquino, tanto que se me arrefeceu o ânimo de presenteá-los com exemplares de meus livros. Não têm tempo nem de ir ao sanitário desafogar-se das urgências inevitáveis. Ouvi enlevado Sally Gardner, escritora inglesa que faz sucesso num mundo infantil.
E muito mais incursões...
Eu precisava ver com as mesas se conduziam. A flutuação e comprometimento das platéias. Nada muito diferente do ocorreu na II Bienal do Livro em Itabaiana. E não estou sendo pretensioso!
Público... Gente demais para o espaço. Na semana: escolas primárias enchendo os corredores, conduzidas por professores, cantando hinos de guerra. Cada criança com os olhos acesos, inebriada, e levando uma bolsa de livros à tiracolo. Mais tarde, exausta, sentadinha junto às paredes mortas dos stands, esperando a hora de ir para casa. Batismo de foto cultural, benzimento com livros, sementes enterradas no momento certo. Havia gente madura, inclusive eu. Senhoras com carrinhos de feira, desfilando, atropelando outros carrinhos entupidos de livros. Bati-me com um senhor de Londrina do Paraná, que disse se chamar Roque, estressado porque não conseguia mais socar livros no seu carrinho saturado.  Mesmo assim, joguei “meu latim” e ele comprou: “Os Tabaréus do Sítio Saracura” e “Tambores da Terra Vermelha”. Quem mandou se abrir? Venda clandestina, para testar minha veia mascate.
Os escritores estavam nos stands das editoras, fazendo palestras, declamando poemas, lendo crônicas. E em outros espaços que surgiam dinamicamente ou foram criados mesmo para isso. Autografando livros. Fiquei abismado com as filas de jovens, centenas, em uma área para estrelas maiores, buscando um autografo de Carina Rissi (Perdida, Encontrada), Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse), só para citar dois, e nacionais. Esse povo lê, especialmente livros escritos para eles, cheios de sonhos. Bons produtos são ansiados. Uma ânsia natural ou gerada pela mídia, pelos eventos culturais, pelas bienais.
Cida, minha esposa, que lê, em primeira mão, os livros que publico, comprou “A Arma Escarlate”, e recebeu da autora, Renata Ventura, um expressivo autógrafo: “perceba toda a magia que há dentro do Corcovado. Um grande abraço, RS”.

(Antonio FJ Saracura)

Nenhum comentário:

Postar um comentário