segunda-feira, 18 de abril de 2016

Sobre livros lidos, o blog, Antônio FJ Saracura

SOBRE LIVROS LIDOS, O BLOG, Antônio FJ Saracura, escritor da Academia Itabaianense de Letras, afjsaracura@gmail.com)


Fui, outro dia, ao lançamento do livro, “Aracaju meu Encanto”, de Perolina Mariani Bensabath, na igreja Batista da Coroa do Meio, em Aracaju. Uma cerimônia familiar, íntima. A autora é uma senhora de 87 anos, e, frequentou, tempos atrás, as reuniões da Academia Sergipana de Letras, divulgando outro livro, que falava de sua vida, uma pequena epopeia. Rascunhei, na época, rápida resenha sobre o livro dela. Nunca mais soube de Perolina, até ser surpreendido com o convite ao lançamento de que falei acima.

Escrever resenhas... Uma missão espinhosa...
Mas muito importante para o autor do livro resenhado.

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Como fez dona Perolina à mim, faço-lhes um convite. Visitem o blog: “Antônio Saracura sobre livros lidos”. Ele acaba de nascer. Tem meladinha, como convém à casa de mulher parida. E vocês podem dar uma cachimbada, com direito a limpar na barra da saia ou na perna da calça, o sarro do cachimbeiro anterior.

O blog acaba nascer, mas já possui algumas dúzias de resenhas, a maioria sobre livros de autores sergipanos vivos. Talvez sejam mesmo simples considerações de um leitor compulsivo, confuso e acossado por uma multidão destas considerações (ou resenhas) geradas numa vida inteira. Acossaram-no com toda razão. Viram-se na iminência de se perderam na “broquice” do autor (a idade é malvada!) ou na insensibilidade (sempre provável) dos herdeiros, em fogueiras no quintal, após a morte dele, como se fossem “nutilidades”.

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Nos meus velhos diários, agora delidos, há relações de títulos de livros lidos. Seriam para marcar ponto numa competição individual ferrenha? Talvez para não recomprar o mesmo livro, ou não reler começos.

Numa fase seguinte, eu anotava também os pontos principais dos livros lidos. E até publiquei alguns destes no jornal “A Cruzada” nos idos de 1966, 67 e 68.

Quando estive na faculdade, eu elaborava fichários (benditos fichários!), organizados alfabeticamente. Um professor passou-me o know-how ao ver minha aflição, perdido em cadernetas desmolongadas e em folhas soltas.

Há alguns anos, o computador chegou e mudou meus métodos. O word ficou meu amigo, anjo da guarda, assessor contínuo, inseparável.  E toda aquela parafernália manuscrita anterior, eu pude congelar, “abandonar”. Passei a fazer minhas anotações sobre livros lidos eletronicamente. E até publiquei algumas dessas anotações, que as chamei de resenhas, na Revista Perfil de Itabaiana, nos últimos cinco.

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Escrevo resenhas às carreira, à partir de rabiscos nas bordas dos livros que leio. Chamo-as inicialmente de anjinhos sujos.  Do bem ou do mal. Arquivo-as brutas, com palavras truncadas, em um limbo seguro ao meu alcance.  Faço resenhas porque preciso. Como uma defesa. Não nasci com a memória fotográfica de meus parentes das Flechas e da Matapoã, a exemplo de Sizino de Candinho, Florita de Totonho ou Genário Ferreiro. Genaro está no youtube com cerca de vinte declamações geniais. Impressionante!  

Além do que, aprendo mais copiando do que lendo ou ouvindo. Mesmo quando o professor proibia, eu anotava, camuflado, os pontos principais de suas aulas. Problemas de matemática ficavam claros ao copiá-los em meu caderno de dever.

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Reitero o convite para visitarem o Blog: “Antônio Saracura sobre livros lidos”. Ele é filho dessa última fase, a digital, a eletrônica.

Quando me sobra um tempo, vou ao limbo pegar um desses anjinhos sujos. Converso com ele, dou-lhe um banho, boto-lhe uma roupinha branca, um par de asas e trago-o ao blog. Cada anjinho desses é uma nova resenha. Há um problema que estrou tentando evitar. Quando vou ao limbo buscar um anjinho, outros querem vir comigo. Mas eu só consigo aprontar um por vez.  É o meu limite. O diabo é que eles estão ficando espertos.  Um clandestino, escondido em alguma dobra do papel ou embaixo das notas de rodapé do editor de textos, vez por outra, vem junto. Inconveniente, apressadinho. Eu percebo tarde demais.  Brutinho como foi feito, sem nenhum acabamento literário, ele pula dentro do blog logo que pode, misturando-se, escondendo-se atrás dos outros. Demoninho!  Por isso é que algumas resenhas estão mal acabadas. Até ofensivas. Peço a vocês que, em as vendo, me avisem para que eu as arrume adequadamente.  

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Autores precisam conhecer a opinião dos leitores de sua obra e podem até morrer com o silêncio do público. Eu mesmo só sobrevivo porque as pessoas falam, aqui e acolá, sobre os livros que publico. E viveria bem melhor, se mais falassem.

Além de visitar o blog, digam coisas (boas ou ruins) sobre o que viram. Critiquem! Não se sintam pejados nem constrangidos. E não relutem em dedurar os inconvenientes sujinhos.

É bom para a nossa literatura que o blog viva. Arrisco supor! E que nasçam outros blogs (ou seções em revistas e jornais) com resenhas dos livros que publicamos.


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