domingo, 3 de março de 2019

A VIDA GLORIOSA DE CASTRO ALVES, Américo Palha,



A VIDA GLORIOSA DE CASTRO ALVES, Américo Palha, coleção Enciclopédia Histórica: volume 05


Direto da biblioteca de Euclides Oliveira, a exemplo de outros livros que tenho lido.
Euclides é um amigo irmão que ganhei por conta de Os Tabaréus do Sítio Saracura, nos idos de 2008 ou 2009. Havia um recado na caixa postal (Ribeirão replicava quando me via) para que eu passasse em um casa, e informava um endereço fácil de achar, na rua São Cristóvão, na subida da ladeira, no centro da cidade.  Relutei, ameacei ir, mas temia nem sei o quê. Assim, passaram-se meses, até que, ao subir, um dia, a rua, vi duas pessoas conversando à porta da dita casa. Havia uma vaga de estacionamento em frente. Nem fui eu quem parou, o carro tomou-me o controle e encostou. Então começamos uma amizade que jamais se acabará.


Euclides é um homem erudito, cheio de memórias, contador de histórias. Manteve colunas políticas no Jornal da Bahia por mais de trinta anos, possui livros de crônicas espetaculares à publicar, e um publicado, que se chama, Garimpando Lembranças. Lê compulsivamente e mantem uma pequena biblioteca que é ouro puro, da qual cato pepitas para me reconfortar.   

A Vida Gloriosa de Castro Alves é um livro destinado ao público juvenil, que ainda o sou, apesar quase setenta que tenho. Faz abordagem ufanista dos principais fatos na vida do poeta baiano que, morto aos 24 anos apenas, deixou, entre outros, o livro, Espumas Flutuantes, que deveria estar em cada escola, em casa lar.

Enriqueço essa resenha com um texto de autoria de Elaine Barbosa de Souza, Graduada em Letras (Português e Inglês pela FMU (2002, denominado: biografia, obras e estilo literário: 

“Antônio Frederico de Castro Alves foi um importante poeta brasileiro do século XIX. Nasceu na cidade de Curralinho (Bahia) em 14 de março de 1847. No período em que viveu (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil. O jovem baiano, simpático e gentil, apesar de possuir gosto sofisticado para roupas e de levar uma vida relativamente confortável, foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados. Manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Esse seu estilo contestador o tornou conhecido como o “Poeta dos Escravos”. Aos 21 anos de idade, mostrou toda sua coragem ao recitar, durante uma comemoração cívica, o “Navio Negreiro”. A contragosto, os fazendeiros ouviram-no clamar versos que denunciavam os maus tratos aos quais os negros eram submetidos. Além da poesia de caráter social, este grande escritor também escreveu versos lírico-amorosos, seguindo o estilo de Vítor Hugo. Pode-se dizer que Castro Alves foi um poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo. Castro Alves morreu ainda jovem, antes mesmo de terminar o curso de Direito que iniciara, pois, vinha sofrendo de tuberculose desde os seus 16 anos. Apesar de ter vivido tão pouco, este notável escritor deixou livros e poemas significativos. É considerado um dos grandes nomes da terceira geração do Romantismo brasileiro: Espumas Flutuantes, 1870; - A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876; - Os Escravos, 1883; - Hinos do Equador, em edição de suas Obras Completas (1921); - Navio Negreiro, 1869; - Tragédia no lar; Gonzaga ou a Revolução de Minas (teatro, 1875).”

Xxx

O seu mais conhecido poema, “Navios Negreiros”, foi um dos primeiros que decorei e que declamei, ainda no seminário. Não sou de decorar nada, nem de reter na memória o que não seja essencial ao meu dia-a-dia. Mas algumas estrofes de Navios Negreiros teimam em se manter vivas na minha mente.
Li o livro em uma hora e chorei de emoção aqui e ali. Tocam-me o entusiasmo das pessoas pelas causas humanitárias.
O livro aborda, se bem que de maneira breve, o embate com Tobias Barreto, condoreiro como ele também.

Permitam-me reproduzir a visão do próprio Castro Alves sobre o conflito com Tobias em (http://www.projetomemoria.art.br/CastroAlves/memorias/memorias_amor.html:

“Durante algum tempo, aliás, minha sina foi entrar em conflito com Tobias. Começamos como amigos - temos inclusive poesias dedicadas um ao outro; passamos a colegas, tornamo-nos rivais e acabamos inimigos. Intrigas pessoais e literárias. O Tobias era feio, velho, escrevia mal e declamava pior ainda. Nos recitativos ficava nervoso, tinha um jeito desastrado, não controlava a voz. Já eu, que possuía domínio cênico, entrava vestido de negro, com uma flor na lapela, óleo nos cabelos, madeixas minuciosamente espontâneas e pó-de-arroz no rosto, para parecer mais pálido. Por modéstia, não direi que frequentemente as moças ficavam tão próximas do delírio quanto os rapazes, da inveja. Mas nem depois de morto eu descansei do Tobias: um historiador literário, Sílvio Romero, sergipano como o poeta, resolveu promovê-lo postumamente às minhas custas, afirmando a superioridade do conterrâneo sobre mim. Até hoje, todos só se lembram de Barreto por isso, naturalmente para discordar de Romero (aqui, sou o primeiro da fila)”.

(Aracaju, 20 de maio de 2013, Antônio FJ Saracura; resenha recuperada dos alfarrábios em 03 de fevereiro de 2019).


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