PAPÉIS INVERTIDOS E OUTRAS HISTÓRIAS, de Bernivaldo Carneiro,
Botucatu, São Paulo, edição do autor, 2024, contos brasileiros, humor na
literatura, ISBN 978-65-01-02627-5.
Houve um evento
em São Cristóvão, Sergipe, em agosto de 2025, chamado Confraria Sancristovense
de História e Memória. Seria a terceira edição e, certamente, também um sucesso
como as anteriores de que participara. Fui me aventurar a vender os meus
livros, que precisam tanto de leitor. E lá, apresentei-me (tenho esse costume) e conversei com os demais escritores que participavam da Feira do
Livro, vindos do Brasil inteiro. Parei mais demorado na banca de um escritor do
Ceará (havia uma grande comitiva deles), chamado Bernivaldo Carneiro.
E trocamos nossos livros. Coube-me, no escambo, o livro de contos
intitulado "Papéis Invertidos e outras histórias".
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Em casa, furei a
fila invencível de livros a ler e, compartilhando com a concorrência indignada
e lamurienta, saboreei, aqui e acolá, os contos de “Papéis
Invertidos”.
São histórias de
vida lastreadas pelos costumes do lugar (o Ceará é do tamanho do Brasil
inteiro) e nomeando personagens, entre os quais alguns políticos, que, de tão
bem-feitos, me pareceram que existem de verdade. Então o autor é
destemido, pois aqui os poderosos não toleram o foco das nossas lanternas os
alumiando e muitos partem para a ignorância.
Como falar de 33
contos se a resenha que escrevo não deve ultrapassar uma página A4 Arial 14,
para poder ser lida na Academia de Letras, que me dá espaço e plateia?
Após a leitura,
folheei “Papéis Invertidos...” de olho nas anotações “ilegíveis” que faço
nas margens quase sempre apertadas. Escolhi um dos contos que mereceram um
“ótimo”: “Agora eu Danço”.
Sem prejuízo aos
demais, mesmo os que não foram tão bem distinguidos, eles mereceriam uma nova
leitura, como a que dei a “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e que se
revelou um dos melhores romances que li na vida...
Como os demais
contos (repito-me usando outras palavras), “Agora eu Danço” tem humor afinado
(o humor é o ponto marcante em todo o livro), escrita concisa e trama
coerente... e produz, na leitura, imagens nítidas, vivas como se fossem um
bom filme.
Resta-me
parafrasear Alessandra Valle, que escreve a primeira orelha da edição. A obra
oferece “uma leitura imperdível para quem aprecia humor inteligente e
originalidade literária”.
Parabéns, grande
Bernivaldo Carneiro.
(Por Antônio FJ
Saracura, em Aracaju, 23 de maio de 2026).
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