domingo, 17 de maio de 2026

PORTAL DO ESPANTALHO, a última saída, Jilberto Rodrigues de Oliveira

 

PORTAL DO ESPANTALHO, a última saída, Jilberto Rodrigues de Oliveira.

 




Um grupo de garotos moradores do povoado Alecrim, no Malhador, autodenominado os Guripas, resolve, assim de improviso, fazer uma expedição a serra do Capunga, que fica perto. Não havia nada previsto e eles nem se meteram a inventar uma diversão local qualquer, naquele bonito domingo pela manhã. 

E, sem bagagem, partem para a serra, dar uma vareada nas nascentes dos rios e riachos que ainda não sabem quem são (especialmente o chamado Pinga-Pinga) que descem da serra e correm pela planície em busca do rio Jacaracica.

A cadeia à qual pertence a serra do Capunga é a mesma que marca a cerca natural do imenso curral da Itabaiana Grande e que supriu de carne, arreios e canga os engenhos da Bahia, Pernambuco e da Cotinguiba, no tempo colonial. Foi em uma de suas serras (a majestosa Itabaiana) que Belchior Dias Moreia descobriu e depois escondeu as minas de prata, que ainda hoje são lenda. Essas minas fizeram de Itabaiana a capital do Vice-Reino brasileiro por um tempo e atraíram os holandeses de Maurício de Nassau, cobiçando também o controle dos currais de criação.

Os Guripas subiram a serra do Capunga por uma picada que já conheciam e penetraram nos fundos grotões em busca de enseadas úmidas dos minadouros. Sabiam do risco que corriam, conheciam as lendas que durante séculos o povo da planície passava de pai para filho. À frente, o líder, Zé Barbante, andava atento, escutando os ruídos, segurando o rumo. Em seguida, Nego Giba (forte como um tourinho zebu), Rodela, Ziro, Felé, Gabiru e Póca.

Sem perceber, a tropa penetrou no mundo misterioso da serra, que se abriu em reinos com fadas, bruxas, monstros, gatas borralheiras, carneiros de ouro, castelos com fossos, torres tenebrosas e placas escritas em latim medieval

E se envolve em fios que precisam achar a ponta ou jamais sairão do encanto, jamais retornarão à pracinha do Alecrim onde as suas famílias, especialmente as namoradinhas de cada um,  agoniam-se com a demora.

O enxuto romance de 145 páginas passa pela fantasia de J.R. Tolkien em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, pela fantasia de Lewis Caroll em Alice no País das Maravilhas, pela de Clive Staples (leia-se C.S. Lewis) em As Crônicas de Nárnia e Trilogia Cósmica, pelas Viagens de Gulliver...

Viagens ao fim do mundo, criaturas fantásticas, batalhas épicas são os principais ingredientes destes best-sellers consagrados e são também do “Portal do Espantalho” de Jilberto, pois desafia, assusta e encanta.

Parece um livro infantil (as crianças vão viajar), um livro juvenil (a rapaziada vai vibrar), um livro eclético (a velharia não vai cochilar hora nenhuma). Eu acabei de o ler e rabisquei  essa curta resenha, como é meu costume quando sou picado pela mosca azul do encanto, para que você queira ler também.

Aracaju, 17 de maio de 2026, por Antônio FJ Saracura

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