PORTAL DO ESPANTALHO, a última saída, Jilberto Rodrigues de Oliveira.
Um grupo de garotos moradores do povoado Alecrim, no Malhador, autodenominado os Guripas, resolve, assim de improviso, fazer uma expedição a serra do Capunga, que fica perto. Não havia nada previsto e eles nem se meteram a inventar uma diversão local qualquer, naquele bonito domingo pela manhã.
E, sem bagagem, partem
para a serra, dar uma vareada nas nascentes dos rios e riachos que ainda não sabem
quem são (especialmente o chamado Pinga-Pinga) que descem da serra e correm pela
planície em busca do rio Jacaracica.
A cadeia à qual pertence a serra do Capunga é a mesma que marca
a cerca natural do imenso curral da Itabaiana Grande e que supriu de carne, arreios
e canga os engenhos da Bahia, Pernambuco e da Cotinguiba, no tempo colonial. Foi
em uma de suas serras (a majestosa Itabaiana) que Belchior Dias Moreia descobriu
e depois escondeu as minas de prata, que ainda hoje são lenda. Essas minas fizeram
de Itabaiana a capital do Vice-Reino brasileiro por um tempo e atraíram os holandeses
de Maurício de Nassau, cobiçando também o controle dos currais de criação.
Os Guripas subiram a serra do Capunga por uma picada que já conheciam
e penetraram nos fundos grotões em busca de enseadas úmidas dos minadouros. Sabiam
do risco que corriam, conheciam as lendas que durante séculos o povo da planície
passava de pai para filho. À frente, o líder, Zé Barbante, andava atento, escutando
os ruídos, segurando o rumo. Em seguida, Nego Giba (forte como um tourinho zebu),
Rodela, Ziro, Felé, Gabiru e Póca.
Sem perceber, a tropa penetrou no mundo misterioso da serra, que se abriu em reinos com fadas, bruxas, monstros, gatas borralheiras, carneiros de ouro, castelos com fossos, torres tenebrosas e placas escritas em latim medieval
E se envolve em fios que precisam achar a ponta ou jamais sairão do encanto, jamais
retornarão à pracinha do Alecrim onde as suas famílias, especialmente as namoradinhas
de cada um, agoniam-se com a demora.
O enxuto romance de 145 páginas passa pela fantasia de J.R. Tolkien
em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, pela fantasia de Lewis Caroll em Alice no País
das Maravilhas, pela de Clive Staples (leia-se C.S. Lewis) em As Crônicas de Nárnia
e Trilogia Cósmica, pelas Viagens de Gulliver...
Viagens ao fim do mundo, criaturas fantásticas, batalhas épicas
são os principais ingredientes destes best-sellers consagrados e são também do “Portal
do Espantalho” de Jilberto, pois desafia, assusta e encanta.
Parece um livro infantil (as crianças vão viajar), um livro juvenil
(a rapaziada vai vibrar), um livro eclético (a velharia não vai cochilar hora nenhuma).
Eu acabei de o ler e rabisquei essa curta
resenha, como é meu costume quando sou picado pela mosca azul do encanto, para que
você queira ler também.
Aracaju, 17 de maio de 2026, por Antônio FJ Saracura

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