sábado, 18 de julho de 2026

BATISTAS EM MARUIM (1926-2026), Sandra Maria Natividad

 

BATISTAS EM MARUIM (1926-2026), Sandra Maria Natividade, Edição comemorativa ao centenário dos Batistas em Maruim/SE, projeto Centenário – Fragmentos, Criação, Aracaju, 2026, 220p, 32cm, ISBN 978-85-8413-742-8.

O professor Franklin Rolim de Almeida escreve as orelhas do livro e apresenta a autora, Sandra Maria Natividade, como uma escritora que construiu uma reputação sólida pelo rigor acadêmico e compromisso com a preservação da memória religiosa de Sergipe.

Sandra Natividade, antes deste livro “Batistas em Maruim” publicou um estudo aprofundado sobre a Primeira Igreja Batista de Aracaju, além de obras tratando temas ligados à área técnico-profissional e à fé Cristã.

Batistas?  


O nome aparece em 1609 (A reforma protestante de Lutero vem de 1517) quando dois dissidentes da Igreja Anglicana inglesa, Thomas Helwys e John Smyth, formaram uma congregação independente na qual o batismo seria por imersão em adultos conscientes e o Estado ficava fora (imagino que a política partidária brasileira também). Os dois pioneiros precisaram migrar para Holanda levando alguns seguidores e, lá, a Congregação cresceu e se transformou na Igreja Batista que chegou até nós.

No Brasil, em 1865, imigrantes sulistas EUA derrotados na Guerra de Secessão (1861-1865) aportaram aqui com o intuito de reconstruir suas vidas e fortunas, criando a Colônia de Santa Bárbara do Oeste, na Província de São Paulo. Em 1871 foi formalizada criação da Igreja Batista de Santa Bárbara do Oeste que ficou sob o pastoreio de Richard Ratclif. Três anos depois, este mesmo pastor, com oito companheiros da colônia, criou a loja maçônica George Washigton.

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Somente em 15/10/1882 foi organizada a primeira Igreja Batista do Brasil, na cidade de Salvador, com a presença de cinco missionários norte-americanos: William Buck Bagby, Anne Luther Bagby, Zacharias Taylor, Catherine Stevens Taylor e o ex padre nascido em Alagoas, Antônio Teixeira de Albuquerque, que foi consagrado o primeiro pastor.

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Em Sergipe, a primeira Igreja Batista foi criada em 19/09/1913, pelos irmãos alagoanos da cidade de Penedo, onde a igreja existia desde 1901.

A partir daí, em treze anos, foram criadas as igrejas batistas de Aracaju, Propriá, Vila nova, Brasileira de Aracaju (a segunda na capital) e a igreja Batista de Maruim.

Esta última, de Maruim, de que trata amiúde este livro de Sandra Natividade, começou a ser gestada em 1924, quando membros da Primeira Igreja Batista de Aracaju sob a liderança de José Goiaba, passou a evangelizar no município. Em 25 de abril de 1926, sob a liderança do pastor Coriolano Costa Duclerc, foi instalada oficialmente a Primeira Igreja Batista de Maruim, em uma casa alugada, como ficou anos em várias pela cidade.

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Atualmente há cerca de 90 igrejas batistas ou afiliadas em Sergipe. Em Maruim há três. E no País há 8.900 igrejas vinculadas à Convenção Batista Brasileira- CBB, somando 1,7 milhão de membros. Que grandeza! 

O livro conta a luta de homens/mulheres de fé para quebrar barreiras, ocupar espaços, fazer prosperar sua messe, salvar almas. Trata de filosofia, obra missionária, de protagonistas (missionários, pastores, evangelistas, etc.) e nos oferece uma rica iconografia focada em Maruim. Conta com textos (prefácios, apresentações, orelhas) de destacadas figuras, como o Pastor Maurílio Mendes de Farias, presidente da Convenção Batista Sergipana; a pesquisadora e escritora Maria Lúcia Marques Cruz e Silva, presidente da Academia Maruinense de Letras e Artes; além do professor Franklin Rolim de Almeida, presidente da Academia de Letras de Aracaju, já citado.

“Batistas em Maruim” é um ótimo livro que resgata (com admirável empenho da autora) a memória religiosa de nosso povo, no que refere aos Cristãos Batistas.

E os Sabatistas? Tem a ver?

A título de curiosidade, Sabatistas são uma variante dos Batistas ou de outras igrejas (adventistas do sétimo dia sãos os mais famosos) que guarda o sábado como o dia de descanso e não abre mão.

(Antonio FJ Saracura, em 16 de julho de 2026).

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A PRINCESA DESASTRADA: O MISTÉRIO DO REI, Maidy Lacerda

 

A PRINCESA DESASTRADA: O MISTÉRIO DO REI, Maidy Lacerda, com ilustrações de Renata de Souza, Editora Planeta, São Paulo, 2026, 336 páginas, ISBN 978-85-422-4113-6.


Que magia é essa que faz com que um livro seja lido compulsivamente por todo mundo, especialmente por pré-adolescentes, mesmo sendo parrudão e tendo um enredo comum?

Pietra Pinheiro Caetano tem oito anos mal completados, estuda o 3B no colégio Babylândia, uma escola infantil de Aracaju. Apareceu aqui em casa com um livro grosso nas mãos, já lido a metade, dizendo que fora emprestado por uma colega de sala e que havia outras esperando na fila.

Eu comemorei. Finalmente alguém de minha família (ela é minha neta mais nova) seguia-me os passos.

Três dias depois, Pietra acabou o livro e me contou a história, ganhando as tradicionais cinco pilas.

Na sequência, “comeu” mais dois da mesma coleção, parrudões também, emprestados pelas coleguinhas.

Eu fui investigar nas livrarias da cidade e vi que a coleção “Diário de uma Princesa Desastrada” é sucesso absoluto no Brasil todo, com filas de espera para os próximos lançamentos.

O quarto tomo, comprado pelos pais como prêmio merecido, após lido, Pietra me emprestou, furando a fila das coleguinhas: “Mas o senhor ande ligeiro”.

Gastei três dias.

Adorei.

Vivi a luta de Amora, somei-me aos amigos abnegados, especialmente à princesa Olívia, irmã de Amora, que não vacila em transformar raios assassinos em bolhinhas de sabão.

Amaldiçoei sapos gosmentos, bruxas malvadas...

Peguei amizade com gnomos, fadas, sereias, elfos, princesas, reis, rainhas...

Voei em vassouras que transportam no tempo e no espaço, cheirei flores venenosas e sobrevivi.

O conteúdo alterna textos e gravuras; o palavreado trafega pelo idioma neologista que os jovens usam, mas eu me sentia jovem também.

O enredo, na forma de diário de uma princesinha chamada Amora, trata de um reino cercado por outros que o antecederam e foram encantados. Amora possui poderes sobrenaturais (quase todo mundo aqui tem algum) e busca encontrar o pai, vítima de bruxas no passado, com a ajuda da irmã Olívia, dos amigos Sadi, Lila e Sophia, do namoradinho evasivo Skorpio...

Como salvar o pai da prisão onde está sob correntes e feitiço desde a queda de seu reino?

Como levá-lo a Florentia, onde está sendo procurado como criminoso condenado?

Como mantê-lo escondido até o Festival Lunar, quando a sua magia destruirá o poder do vilão maior, possibilitando a ressurreição do reino apagado?

Após muitas voltas, o grupo rebelde está no Festival Lunar para cumprir a missão salvadora, para destruir os opressores. A rainha Amora esfrega as mãos ansiosa. A malvada Persephone nem desconfia da armadilha em que vai cair com seus seguidores. Ou desconfia?

Chega o momento azado...

E dá zebra.

Os vilões tomam o controle, dominam os guerreiros de Amora. E o pior! Dominam com o aparente apoio (parece ser) do rei Edrian (pai de Amora), de Scorpio (seu namoradinho), da rainha Stena (mãe de Amora).

Amora consegue se safar pelas mãos de magias aparentemente inimigas, é jogada no fundo do mar, acolhida por uma fada amiga-peixe, e mantida escondida.

Um caos!

A última página convida os leitores a aguardar o próximo livro da série que logo chegará às livrarias, botando tudo em pratos limpos. Ninguém precisa entrar em desespero. Como o mundo aqui é de fantasia, tudo pode acontecer, inclusive uma inversão do que aconteceu no Festival Lunar.

A eterna briga entre heróis e vilões, comum ao mundo real (onde se pode quase nada) também está no fantástico (onde se pode quase tudo).

“O Mistério do Rei”, de Maidy Lacerda, levou-me a “O Senhor dos Anéis”, de JRR Tolkien, um dos livros mais lidos do mundo. Sem traçar paralelos literários, digo (li toda a obra de Tolkien com imenso prazer) que os dois podem ser sofregamente desfrutados por uma criança como Pietra ou por um ancião de mais de 80, como eu que sou. Então ambos são detentores daquela magia escorregadia que incessantemente busco para meus livros.

(Aracaju, 30 de junho de 2026, por Antonio FJ Saracura)