VELEIRO DA ESPERANÇA, Gizelda Morais, Pontes, 167 páginas, isbn
978-8571-133815
Gizelda
Morais parece que cansa ao final de seus livros. Já vi isso em A procura de
Jane, quando deixa toda vingança alimentada e todo o objetivo anunciado para
trás, acaba abruptamente o romance e a personagem fica entregue a uma vidinha
conformada e trivial. Se não me falha a memória. Não tenho mais o livro comigo,
li há mais de cinco anos.
Em
Veleiros da Esperança também.
Depois
de narrar depoimentos sólidos de vários tripulantes e com eles construir uma
odisseia náutica desde a Gran Canária (e Dakar no Senegal) até uma praia remota no Brasil, finaliza o
livro com um poema de Fernando Pessoa (de uma beleza extrema) mas que pouco a
ver com a expectativa do leitor carente
de aventura. Também o enredo, que vinha azougado... Já perto do final, nas imediações
das reminiscências de Javier e nelas, fica um tanto repetitivo. Fatos são
renarrados sem agregar nenhuma variável nova, cansando. Senti monotonia, senti
a frustração dos projetos abortados.
Até
a paixão, ingrediente infalível de qualquer romance (Alberto, “meu lindo
praticante de kayboard”) provoca apenas, também para minha surpresa, acordes
íntimos de uma canção antiga: “Terezinha de Jesus”. O que tem a ver? E foi
pouco explorado, pareceu até um remendo improvisado, a paixão entre Pablito e
Alícia, um amor impossível e que provocaria boas lágrimas em leitores mais
crus. Eu, mesmo cozinhado em novelas e romances, garanti o meu choro. O
cozinhamento apenas me amoleceu mais ainda... Choro até imaginado lances que nem foram narrados e
talvez nem imaginados pelo autor.
Eu
queria navegar entre o Delta do Parnaíba e a ilha Gran Canária. Eu e
Graciela (e a autora, por tudo que diz).
Morri na praia. O novo Veleiro da Esperança apenas zarpa, não mais que isso. No
meu humilde modo de pensar, a autora deveria reservar espaço para a aventura do
retorno. E seria um romance acabado, não meio romance. A não ser que tenha escrito
outro tratando deste retorno homérico, que não identifiquei na sua bibliografia.
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