DE GAMELEIRA Á COLÔNIA, Uma Saga Nordestina, Marcos Antônio
Lima, Santa Brígida, editora AZ7,2023, História verídica, isbn
978-65-85244-03-9
Me agradam histórias verídicas, que falem de lugares que
cresceram com imensa luta, que não esqueçam dos construtores, especialmente os que
se construiriam junto.
Eu conheço o autor desde livro, o professor Marcos Antônio Lima,
das bienais e das feiras do livro de Itabaiana, para as quais ele sempre vem da
Bahia longínqua comandando um ônibus de alunos das escolas nas quais ensina. E o
admiro pela alegria com que recebe os módicos vales livros/biens que conseguimos
dar-lhe e pela gratidão com que seus alunos exibem os livros comprados com os
biens.
Na III Feira do livro de Itabaiana vieram com a comitiva do
professor Marcos, o prefeito de Santa Brígida, um secretário ou vereador da
cidade. Eu chamei Domingos Pascoal, que dava uma palestra no palco da palavra, meu
parceiro na organização do evento, para me ajudar, pois nunca me ocorrera algo similar
nestes mais de dez anos que tenho estado na execução, tanto das Feiras do Livro
como das Bienais de Itabaiana.
Achamos que Santa Brígida nos distinguia de maneira inusitada
e gratificante.
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O livro (da Gameleira à Colônia) é um romance regional de fio
firme até a morte do beato na página 109. Tem momentos espetaculares.
O beato Pedro Batista, o basilar protagonista, é santo conselheiro,
curador de almas. As pessoas sofridas ouvem o vento e vêm de longe em busca de milagres,
inclusive do Sergipe e de Pernambuco.
Vislumbrei nele, assustado, Antônio Conselheiro de cem anos
atrás e temi que o Brasil moderno não tivesse aprendido a lição e mandasse repetir
a chacina em mais um arraial gerido além do tempo.
A fazenda Gameleira é comprada ao Coronel João Sá apenas na
palavra, retalhada em lotes e distribuída em arrendamento aos “retirantes”, que começam a fazer milagres também. Novas propriedades
são compradas. A reforma agrária do governo Federal prova-se aqui como um projeto
vitorioso. Há momentos heroicos de extrema emoção.
Quem tão frio que não derrame lágrimas?
E entra o protagonista Apolinário Domingos Neto, escolhido
pelo curador, a quem seguiu com devoção desde o começo. Apolinário mostrou-se
também um incansável pacificador e condutor
de rebanhos.
A narrativa se abre para resgatar o mundo vário ao redor. Santa
Brígida emancipa-se de Jeremoabo. E aparecem as famílias se recompondo, mantendo-se
com dignidade. Chegam as escolas, os caminhos do progresso para essa juventude
poderosa.
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Os alunos da escola municipal Doutor Rogério Rego e do Centro
Educacional Zenor Teixeira estão na maior ansiedade.
O professor e escritor Marcos Antônio Lima e um grupo de
professores selecionam a lotação para os dois ônibus que viajarão para IV Feira
do Livro de Itabaiana, em abril próximo (dias 24, 25 e 26).
Ninguém quer ficar de fora.
(Por Antônio FJ Saracura, em Aracaju, 2026jan02)
