quinta-feira, 4 de junho de 2026

NÃO QUEIME SEU FILME EM 2030, Fábio Azevedo

 

NÃO QUEIME SEU FILME EM 2030, Fábio Azevedo, 2023, ed. do autor, ISBN 978-65-00-72509-4.

Ganhei o livro “Não Queime o Filme” em uma reunião na Faculdade Amadeus com José Augusto Nascimento, quando eu pedia apoio financeiro para doar vales-livros na Feira do Livro de Itabaiana (IV Flita).

O autor do livro (Fábio Azevedo) é professor da casa e estava presente. Terminada a reunião, sacou da sacola o livro e fez dedicatória para mim.


Em casa, deixei-o à minha frente; não o joguei na prateleira onde os livros desaparecem de minhas prioridades e, depois, domem na caixa de doação.

Ninguém pode ler todos os livros que há.

Em 11/03/2026 (a tal reunião aconteceu em 11/02/2026), para amaciar a ansiedade que esta Feira me dá, abri o livro e li Introdução, que costumo pular. O livro grudou-se em mim, com as hard/inner/soft skills, com os filmes pedagógicos, à sombra ameaçadora da Inteligência Artificial.

Passou pela cabeça a minha vida profissional em TI. Por momentos senti-me o senhor do mundo e, em outros, um reles pato gordo que não consegue mais levantar voo. No segundo capítulo, retornei ao passado juvenil em busca de emprego para sobreviver na cidade grande (anos de 1964) e não conseguia: “você não tem experiência”.

E aprendi que um QI baixo não impede o sucesso profissional. Que consolo! O desafio maior é desenvolver o QA (quociente de aprendizagem) e o QC (quociente de conhecimento).

E mais que, antes de focar uma única profissão, escolher medicina ou direito ou até mesmo antes de fazer uma transição de carreira, é importante desenvolver suas habilidades internas (INNER SKILLS) para melhorar as habilidades sócio emocionais (SOFT SKILLS) e, assim, potencializar as habilidades técnicas (HARD SKILLS).

(...)

Então a Faculdade Amadeus esfriou a parceria proposta e a Feira chegava voraz. Por mais interessante que a leitura fosse, meu foco era achar quem pudesse resolver minhas pendências. Não podia queimar meu principal filme principal (a Flita).

O livro ficou parado na estante, na página 65.

Nos dias 24 a 26 de abril, o Shopping Peixoto regurgitou de escritores e leitores. A IV Flita excedeu as melhores previsões, foi um grande sucesso.

Um mês depois, no final de maio, retorno ao livro. Corro os olhos até o final com vontade de ficar mais. Mas agora tenho outras urgências.

Em gratidão ao professor Fábio pelo simpático gesto de me oferecer sua bela obra, anotei os nomes dos principais filmes (pretendo assisti-los) que embasam a teoria de que trata o livro, e os compartilho com você, como uma sugestão para assistir também.

(Filmes):

O Exterminador do Futuro (era da máquina);

Matrix (busca do mundo perfeito);

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (fantasia);

Moneyball (alfabetização digital);

Interestelar (as possibilidades);

Divertidamente (inteligência emocional);

A Sociedade dos Poetas Mortos (potencial criativo bloqueado);

A Estrada (mundo caótico e complexo);

Um Sonho de Liberdade (sobreviver em ambiente hostil);

Invictus (resiliência e automotivação);

Rocky Balboa (força da persistência);

O Rei Leão (a determinação, o foco firme);

A Menina que Roubava Livros (autoestima);

Rocky IV (autoconfiança);

Soul (O sopro de Deus, o entusiasmo);

A Procura da Felicidade (autocontrole);

O Pior Vizinho do Mundo (reconhecer-se);

O Cavaleiro das Trevas Ressurge (controlar emoções);

A Procura da Felicidade (o pensamento positivo);

The Karate Kid (disciplina é liberdade);

Star Wars (todos os títulos)

(Por Antonio FJ Saracura, em Aracaju, 26 de maio de 2026).

 

 

PAPÉIS INVERTIDOS E OUTRAS HISTÓRIAS, de Bernivaldo Carneiro

 

PAPÉIS INVERTIDOS E OUTRAS HISTÓRIAS, de Bernivaldo Carneiro, Botucatu, São Paulo, edição do autor, 2024, contos brasileiros, humor na literatura, ISBN 978-65-01-02627-5.

 


Houve um evento em São Cristóvão, Sergipe, em agosto de 2025, chamado Confraria Sancristovense de História e Memória. Seria a terceira edição e, certamente, também um sucesso.

Como incluía uma feira de livros, eu fui me aventurar a vender os meus (que precisam tanto de leitores). Instalado devidamente, fui me apresentar aos escritores que tentavam o mesmo, vindos do Brasil inteiro. Eu me entroso fácil e logo estava na banca de Bernivaldo Carneiro, escritor do Ceará (havia uma grande comitiva deles).

Me agradei do bom humor e acolhimento do escritor e trocamos nossos livros.

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Minha fila de leitura está, como sempre, invencível, mas tenho achado espaços para saborear, aqui e acolá, os contos de “Papéis Invertidos”, o livro que me coube no escambo.

São histórias de vida lastreadas pelos costumes do lugar (o Ceará é do tamanho do Brasil inteiro) e nomeando personagens (alguns políticos) que, de tão bem-feitos, me pareceram que existem de verdade.

Então o autor é destemido, pois aqui, imagino que lá também, os poderosos não toleram o foco das nossas lanternas os alumiando e muitos partem para a ignorância.

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Como falar de 33 contos se a resenha que escrevo não deve ultrapassar uma página A4 Arial 14, para poder ser lida na Academia de Letras, que me dá espaço e plateia?

Após a leitura, folheei “Papéis Invertidos...” de olho nas anotações “ilegíveis” que faço na leitura às margens desocupadas e quase sempre apertadas. E escolhi um dos contos que mereceram um “ótimo”: “Agora eu Danço”.

Sem prejuízo aos demais, mesmo os que não foram tão bem distinguidos, eles mereceriam uma nova leitura, como a que dei a “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e que se revelou um dos melhores romances que li na vida. Que me perdoem! Meu tempo, pra tudo, está um nadinha.

“Agora eu Danço” tem humor afinado (o humor é o ponto marcante em todo o livro), escrita concisa e trama coerente... A leitura produz, naturalmente, imagens nítidas, vivas como se fossem um bom filme. Que é o padrão do “Papéis invertidos e outros contos”. 

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Resta-se parafrasear Alessandra Valle, que escreve na primeira orelha da obra: “Uma leitura imperdível para quem aprecia uma boa dose de humor inteligente e originalidade literária”.

(Por Antônio FJ Saracura, em Aracaju, 23 de maio de 2026).

 

DEDICATÓRIAS DE UMA APRENDIZ, Laura Lorrany

 

DEDICATÓRIAS DE UMA APRENDIZ, Laura Lorrany, Usina de textos, 124 páginas, poesia, 2026, Salvador, BA, ISBN 978-65-5166-015-3




Laurinha, menina de 15 anos de idade, do Clube de Leitura Sementes do Amanhã, de Lagarto, me diz, aqui no WhatsApp (25/11/2025), que vai publicar seu primeiro livro de poemas: “Dedicatórias de uma aprendiz”. E me pede para escrever uma mensagem e pergunta se eu poderei estar no lançamento.

Eu a conhecera no meio da plateia de mais de cem garotas e garotos levantando a mão, pedindo a palavra, querendo participar da roda de conversa sobre meu livro: “O Menino Amarelo”. Fora um dia mágico no salão de festas “Entre”, da cidade, comandado pelos professores Renato Araújo (o mago-mor), Igor e Mayra.

Então respondi na hora: “Vou ao lançamento, sim! Quero estar presente onde as sementes nem esperam o amanhã chegar. Mas, se eu não aparecer (já não sou uma semente que o vento leva), autografe o meu exemplar e mande pelo primeiro portador”.

(Dias depois, Laura me perguntou se poderia publicar a nossa conversa como a mensagem que demorei a enviar, pois o tempo passara. Concordei na hora).

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O livro foi lançado e estou de posse do meu exemplar, que acabo de ler.

Talvez poemas sejam como as pessoas, mudam (dentro deles) a cada vento. Agora gostam de alguém e agora mesmo (quase), nos próximos versos, a odeiam.

Os poemas dos novos poetas que tenho lido são colchas de retalhos produzidos por um pincel em alucinado brainstorming. Tento entender por que cada retalho está ali encravado, mas retrocedo sobre meu rastro, pois destruiria a concha que não é minha, e não deixa de ser bela.

Talvez venha disso a expressão de que a emenda saiu pior que o soneto (Manuel Maria Barbosa du Bocage, 1765-1805);  de que é melhor coser uma concha nova do que consertar uma já feita

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Quando alcancei a página 104, no poema “Mania Você”, tomei um susto. Reli-o para ter certeza. Estava tudo no lugar que Deus manda. Tinha unidade. Se fora uma colcha, os retalhos eram aqui fundamentais para compor a harmonia que busquei. Gostei de graça.

E os poemas seguintes seguiram este padrão.

“Recomeço”... Entendi, gostei.

“Desassociada”,  igual.

Em “Alterada” tem estrutura, bom poema.

Em “Melancolia” anotei que não concordava que a poeta fosse viciada em estar mal, como se eu pudesse me meter nisso. Não seria viciada em esperança?

“Minha Estrela” é doce.

“O preço de amar”, porreta.

“O Menino Amarelo” é ótimo. Saracura nos prende em transe com suas palavras hipnotizantes.

Obrigado, Laurinha, pelo livro todo.

Talvez eu tenha achado a chave que abre a porta da poesia de Laura.

Então, eu deveria reler o livro e desfrutar da beleza escondida nos poemas e protegida por segura chave, agora à mão.

Preferi “fingir” que lia para gostar mais talvez.

Aracaju, 24 de maio de 2026. Por Antônio FJ Saracura

EXPEDITO E SUA OBRA, sobre a arte literária


 

EXPEDITO E SUA OBRA, sobre a arte literária

 



Expedito é meu amigo desde quando entrei na  Petrobras (abril de 1967). Na época, eu já fazia o curso superior de Ciências Econômicas e Expedito parara de estudar, conformara-se com o curso médio. Vendo-me empenhado nos estudos, ele achou que também podia e formou-se, mais tarde, em Ciências Econômicas.

Foi ele que me avisou da medalha de honra ao mérito que a UFS me conferiu no final do curso e estava azinhavrando no tiracolo do assessor de comunicação. 

Fui padrinho de seu casamento (olá, comadre Excelsa!) em uma de minhas férias em Aracaju.

Foi Expedito que guardou parte de meus livros quando fui transferido para a Petrobras em São Paulo (1971). Nos aptos de sampa, os que que cabiam no meu salário, não cabiam todos os meus  livros. Recuperei-os trinta anos depois, joias preciosas, dos quais morri  de saudade este tempo todo.

Quando  ele leu meu primeiro livro (publicado em 2008), Os Tabaréus do Sítio Saracura, achou que podia publicar também e abriu a gaveta das especiarias.

Já publicou uma coleção de belas obras (Álbum de Aracaju, Memória de Aracaju: Bodegas, Relógio do Tempo...), com os quais revelou a memória de nossa cidade e de nosso povo.

Álbum de Aracaju mostra, em fotos feitas pelo autor, Aracaju saindo  chácaras para os arranha-céus, virando uma  metrópole moderna.

Bodegas capta a sociedade aracajuana vivendo com as cadernetinhas de crédito, com as entregas em cestos, com o comércio familiar das vendas em bodegas. Havia esquinas com quatro, cada uma com sua clientela própria e todas produzindo renda suficiente para os donos (famílias vindas do interior) se manterem com dignidade.

Relógio do Tempo, Tempos de Almas e Anjos... vêm do Riachão com seus espaços, moradores e causos: O bilhar de seu  Zuza,  os tanques de banho, a caça das lagartixas, o reisado da Carnaúba,  Maria Alice,  Zé Padre... Passam por Aracaju onde o autor  foi ajudante de bodegueiro nos estabelecimentos do pai e das tias,  respirou as  areias em volta de tudo, falou dos primos que são doutores, da luta da família, dos carros e amigos antigos.

A obra literária de Expedito Souza é bem humorada, agradável. Revela, de forma indelével, um invejável cabedal histórico de nosso povo e lugar, E é parelha, puxada para cima,  de outras produzidas pelos considerados pais exclusivos da nossa memória.

Tenho a felicidade de ser contemporâneo, conterrâneo e desfrutar de sua amizade diariamente.  

Obrigado, José Expedito de Souza, pela parte que me toca em sua grandeza. 

Por Antônio FJ Saracura, em 31 de maio de 2026.

EXPEDITO CONTOS E MEMÓRIAS, sobre a arte literária

 

EXPEDITO CONTOS E MEMÓRIAS, sobre a arte literária 

O programa “Expedito: Contos e Memórias” ficou no ar quase dois anos ininterruptos, semanalmente, às quartas-feiras, das 8:00h às 9:00h pela rádio comunitária Jubileu de Aracaju, conectada à web. Comandado pelo escritor José Expedito de Souza, e seguindo o roteiro da produção irretocável de Excelsa Dantas, esposa do comandante. Mansinho, manhoso, com voz trêmula, mas segura, às vezes perdendo a palavra que buscava, mas sempre concluindo cabalmente a mensagem a que se propunha e, ao seu estilo, plantando um rastilho de inteligente humor capaz de provocar gargalhadas no decorrer dos dias seguintes,

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No primeiro quadro do programa, de cinco minutos, Expedito se apresentava e ao intelectual convidado.

O operador da mesa, Lito, fazia uma pergunta ao visitante.

Lito abre o estúdio, liga e desliga os botões. Ninguém mais conseguiria colocar outra vez a rádio Jubileu no ar. Expedito, tácito, com um sorriso ínfimo, agradece a interferência.

No segundo quadro do programa, de dez minutos, Expedito lia uma crônica de sua autoria publicada em algum livro (Relógio do Tempo, Bodegas, O Tempo de cada um...). Uma boa maneira de se divulgar. As crônicas de Expedito são ótimas e ele anda por linhas carregadas de sentido.

Concluída a leitura, Expedito conclamava os ouvintes a tecerem comentários. Estabelecia-se um debate enxuto no qual, para suprir ouvintes silenciosos, Lito entrava colaborativo.

O último quadro era dedicado ao convidado e seguia um roteiro padrão de perguntas e respostas.

Uma hora de boa cultura, imperdível. A esperança era os ouvintes WEB porque locais eram um pingo.

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Em abril de 1967, eu estava sendo admitido como auxiliar de escritório na Petrobrás. Atento, sentado em frente a um birô no qual Expedito (eu ainda não sabia seu nome, e ele não me dera qualquer sinal amistoso) batia minha admissão. Aqui e acolá, de vista baixa, expunha alguma dúvida, que eu esclarecia. A certa altura, levantou os olhos e perguntou-me:

- Qual é o seu nome de guerra?

Eu não sabia o que era aquilo. Ele percebeu.

- Nome para ser colocado no crachá?

Peguei mais ou menos o sentido e respondi.

- Tonho!

Ele recuou o tronco e me encarou:

- Tonho não pode. Antônio e Francisco já têm demais. Vai ser Jesus,

 

Eu quis contestar, mas não possuía mais nenhum nome.

Passei mais de 40 anos sendo chamado de Jesus, com muito mais portas abertas por isso.

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Correu o tempo.

Eu me aposentara e morava em Aracaju de volta, e publicara meu primeiro livro: “Os Tabaréus do Sítio Saracura”. Fazia bicos em uma imobiliária, onde um irmão, muito parecido comigo, era campeão de vendas. Todos o chamavam de Jesus, talvez por um motivo parecido com o meu.

Na segunda semana, eu vendi um apartamento de luxo achando que o cliente me conhecia de algum lugar, pois caíra em meus braços tão solícito.

Deu o maior xabu. Meu irmão tomou a venda e exigiu que eu arrumasse outro nome. Assim nasceu Saracura.

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O programa “Expedito: Contos e Memórias” saiu do ar após 86 edições, realizadas entre 08/03/2023 e 26/02/2025. Boa parte dos escritores do Estado foi entrevistada. Poucos mandaram um obrigado depois. Qualquer trabalho requer alguma recompensa, qualquer que seja.

O combustível do reconhecimento circula ruim por aqui, e começou a fazer falta.

Expedito foi-se cansando, perdeu o ânimo e o sono,  exauriu-se...

O programa escravizou o criador. Em legítima defesa, o criador matou programa.

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Restaram os vídeos no canal YouTube,

Compulsei-os agora e apenas 67 pessoas, em média, visitaram cada um neste tempo todo. Não deu para saber se a estrela estava entre os visitantes.

Mas os vídeos estão disponíveis e ainda podemos, nós todos que fomos as estrelas, divulgá-los, mesmo tardiamente. Pelo menos, assistir ao nosso e pinçar trechos que ainda valem a pena divulgar. Escrever algumas palavras sobre a nossa participação e publicar em algum meio, como uma homenagem justa ao grande José Expedito de Souza, que nos fez a principal atração nos programas de rádio que produziu.

Parabéns, José Expedito de Souza!

Obrigado pelo apoio que nos proporcionou na divulgação de nossos livros, de nossos projetos, de nossos sonhos.

 

(Por Antônio FJ Saracura, em 30 de maio de 2026)

domingo, 17 de maio de 2026

PORTAL DO ESPANTALHO, a última saída, Jilberto Rodrigues de Oliveira

 

PORTAL DO ESPANTALHO, a última saída, Jilberto Rodrigues de Oliveira.

 




Um grupo de garotos moradores do povoado Alecrim, no Malhador, autodenominado os Guripas, resolve, assim de improviso, fazer uma expedição a serra do Capunga, que fica perto. Não havia nada previsto e eles nem se meteram a inventar uma diversão local qualquer, naquele bonito domingo pela manhã. 

E, sem bagagem, partem para a serra, dar uma vareada nas nascentes dos rios e riachos que ainda não sabem quem são (especialmente o chamado Pinga-Pinga) que descem da serra e correm pela planície em busca do rio Jacaracica.

A cadeia à qual pertence a serra do Capunga é a mesma que marca a cerca natural do imenso curral da Itabaiana Grande e que supriu de carne, arreios e canga os engenhos da Bahia, Pernambuco e da Cotinguiba, no tempo colonial. Foi em uma de suas serras (a majestosa Itabaiana) que Belchior Dias Moreia descobriu e depois escondeu as minas de prata, que ainda hoje são lenda. Essas minas fizeram de Itabaiana a capital do Vice-Reino brasileiro por um tempo e atraíram os holandeses de Maurício de Nassau, cobiçando também o controle dos currais de criação.

Os Guripas subiram a serra do Capunga por uma picada que já conheciam e penetraram nos fundos grotões em busca de enseadas úmidas dos minadouros. Sabiam do risco que corriam, conheciam as lendas que durante séculos o povo da planície passava de pai para filho. À frente, o líder, Zé Barbante, andava atento, escutando os ruídos, segurando o rumo. Em seguida, Nego Giba (forte como um tourinho zebu), Rodela, Ziro, Felé, Gabiru e Póca.

Sem perceber, a tropa penetrou no mundo misterioso da serra, que se abriu em reinos com fadas, bruxas, monstros, gatas borralheiras, carneiros de ouro, castelos com fossos, torres tenebrosas e placas escritas em latim medieval

E se envolve em fios que precisam achar a ponta ou jamais sairão do encanto, jamais retornarão à pracinha do Alecrim onde as suas famílias, especialmente as namoradinhas de cada um,  agoniam-se com a demora.

O enxuto romance de 145 páginas passa pela fantasia de J.R. Tolkien em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, pela fantasia de Lewis Caroll em Alice no País das Maravilhas, pela de Clive Staples (leia-se C.S. Lewis) em As Crônicas de Nárnia e Trilogia Cósmica, pelas Viagens de Gulliver...

Viagens ao fim do mundo, criaturas fantásticas, batalhas épicas são os principais ingredientes destes best-sellers consagrados e são também do “Portal do Espantalho” de Jilberto, pois desafia, assusta e encanta.

Parece um livro infantil (as crianças vão viajar), um livro juvenil (a rapaziada vai vibrar), um livro eclético (a velharia não vai cochilar hora nenhuma). Eu acabei de o ler e rabisquei  essa curta resenha, como é meu costume quando sou picado pela mosca azul do encanto, para que você queira ler também.

Aracaju, 17 de maio de 2026, por Antônio FJ Saracura

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DE GAMELEIRA Á COLÔNIA, Uma Saga Nordestina, Marcos Antônio Lima

 

DE GAMELEIRA Á COLÔNIA, Uma Saga Nordestina, Marcos Antônio Lima, Santa Brígida, editora AZ7,2023, História verídica, isbn 978-65-85244-03-9      

 

Me agradam histórias verídicas, que falem de lugares que cresceram com intensa luta, que não esqueçam dos construtores, especialmente os que se construiriam junto.

Eu conheço o autor desde livro, o professor Marcos Antônio Lima, das bienais e das feiras do livro de Itabaiana, para as quais ele sempre vem da Bahia longínqua comandando um ônibus de alunos das escolas nas quais ensina. E o admiro pela alegria com que recebe os módicos vales livros/biens que conseguimos dar-lhe e pela gratidão com que seus alunos exibem os livros comprados com os biens.

Na III Feira do livro de Itabaiana vieram com a comitiva do professor Marcos, o prefeito de Santa Brígida, um secretário ou vereador da cidade. Eu chamei Domingos Pascoal, que dava uma palestra no palco da palavra, meu parceiro na organização do evento, para me ajudar, pois nunca me ocorrera algo similar nestes mais de dez anos que tenho estado na execução, tanto das Feiras do Livro como das Bienais de Itabaiana.

Achamos que Santa Brígida nos distinguia de maneira inusitada e gratificante.

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O livro (da Gameleira à Colônia) é um romance regional de fio firme até a morte do beato na página 109. Tem momentos espetaculares.

O beato Pedro Batista, o basilar protagonista, é santo conselheiro, curador de almas. As pessoas sofridas ouvem o vento e vêm de longe em busca de milagres, inclusive do Sergipe e de Pernambuco.

Vislumbrei nele, assustado, Antônio Conselheiro de cem anos atrás e temi que o Brasil moderno não tivesse aprendido a lição e mandasse repetir a chacina em mais um arraial gerido além do tempo.

A fazenda Gameleira é comprada ao Coronel João Sá apenas na palavra, retalhada em lotes e distribuída em arrendamento aos “retirantes”,  que começam a fazer milagres também. Novas propriedades são compradas. A reforma agrária do governo Federal prova-se aqui como um projeto vitorioso. Há momentos heroicos de extrema emoção.

Quem tão frio que não derrame lágrimas?

E entra o protagonista Apolinário Domingos Neto, escolhido pelo curador, a quem seguiu com devoção desde o começo. Apolinário mostrou-se também  um incansável pacificador e condutor de rebanhos.

Aqui a  narrativa se abre para resgatar o mundo variado ao redor. Santa Brígida emancipada de Jeremoabo, consolida-se e cresce. É a colônia sertaneja de um povo feliz que peleja, conforme canta o hino cívico cheio de símbolos. Meu padrinho Pedro Batista deu ordem pra nóis brincar porque  "Mineiro Pau" se brinca em todo terreiro de chão. A cultura transpira com o suor da lida e o folclore tem o gosto quente do lugar. 

E aparecem as famílias se recompondo, mantendo-se com dignidade. E chegam as escolas, caminhos do sucesso para a juventude sonhadora.   

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Os alunos da escola municipal Doutor Rogério Rego e do Centro Educacional Zenor Teixeira estão na maior ansiedade.

O professor e escritor Marcos Antônio Lima e um grupo de professores selecionam a lotação para os dois ônibus que viajarão para IV Feira do Livro de Itabaiana, em abril próximo (dias 24, 25 e 26).

Ninguém quer ficar de fora.

(Por Antônio FJ Saracura, em Aracaju, 2026jan02)