O PACIENTE DO LEITO 7, José Denivaldo dos Santos, Aracaju, Editora
Brasil Casual, 2023, 214 p. ISBN 078-65-86316-55-1
Li este “Paciente do Leito 7” há mais de seis meses e, incontinenti,
me envolvi na preparação e realização da Feira do Livro de Itabaiana. Mal rabisquei
uma pequena resenha, mas a esqueci completamente quando a lida da Feira amainou.
E aqui estou ante um texto estranho que encontrei boiando em um
dos meus arquivos temporários, que são gavetas de trecos espalhadas em um computador
mal arrumado.
Mas não é sobre aquele bom livro do poeta declamador Denivaldo?
E tento ler meus rabiscos, devagar, traduzindo as palavras mal
escritas pelos apressados dedos na digitação.
Agonio-me!
Em que outro quarto estaria o paciente, que tanto me aguardou?
Encontro o livro na estante dos inconclusos com um lápis grafite
atravessando seu corpo, marcando não sei o quê.
Ainda bem que as minhas anotações nas margens das páginas continuam
lá. Corro os olhos por elas e cenas vão se revelando em minha mente, ganhando vida.
xxx
Antônio, meu xará e contemporâneo, infarta e baixa hospital desenganado.
Mas mantem a consciência. Até a morte anunciada, passa um pente-fino na vida pregressa,
criando o combustível e organizando argumentos, talvez, para um eventual julgamento
no andar de cima.
E descobre que ações corriqueiras tomadas por comodismo ou covardia
na juventude prejudicaram vidas alheias. E as lembranças se fazem acompanhar de
pessoas que o visitam no hospital e que, a seu pedido ou por vingança e revelam
pontas de linhas que trazem a luz um mundo que nunca desconfiou que houvesse.
Toda o romance consiste em uma sucessão de lembranças, narradas
com esmero, que prendem o leitor, a exemplo do assassinato acidental do pai de Antônio
(Joaquim) a mando do futuro sogro (Saturnino) apenas porque fora este preterido
no amor por Gertrudes (a jovem esposa de Joaquim e a mãe prematura de Antônio).
Que o tribunal dos juízes celestiais tome sua decisão, seja lá
qual for. Que o meu julgamento aconteça à minha revelia. Basta-me a sentença. Não
há como evitar as sujeiras que fiz ou que me fizeram. Não nessa fazer final da vida,
Parabéns, escritor José Denivaldo dos Santos, pela trama engendrada
que produziu um bom romance.
(Por Antonio FJ Saracura, em 15 de junho de 2026)


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