segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A RUA DA FRENTE, (Memórias de um tempo que nunca morre),Gecildo Queiroz

A RUA DA FRENTE, (Memórias de um tempo que nunca morre),Gecildo Queiroz,Gráfica J Andrade,Aracaju, 132p, 2013,ISBN 978-85-8253-010-8




Depois da primeira boa surpresa e da primeira gargalhada que irrompeu incontrolável, li todo o livro num clima encanto. Cada caso, cada frase, cada palavra fazendo festa para mim, carregando-me inteiramente ao passado que era o meu também e acho que é o de todos (com ajustes) meninos criados mais ou menos livres nesse Brasil imenso. Verbos consistentes, adjetivos econômicos, sujeitos nítidos. 

Um livro leve, mas denso. Casos curtos, mas completos. Nada fica no ar, até uma palavra fora do contexto que surge intrometida, ela mesma trata de se apresentar a seguir. Nenhuma colocação fora do prumo severo de um professor cônscio de sua missão de escrever para ser lido. Pequenos fatos ganham dimensão de epopéias, situações corriqueiras em princípio sem graça nenhuma, divertem e emocionam. 

Brinquei, corri riscos imensos, aprontei cada uma, que chega me arrepio. As locações, os tipos, as situações que Gecildo descreve são agora todos meus também, numa transposição que só os bons textos conseguem fazer. Belvedere, o papa-fila, a rua D, o Boneário, a areinha de Deus, a doce goiaba vermelha, a menina bocuda, a sandália de couro, o malumento, os vigorosos cascudos...

Para escrever um bom livro não é necessário uma história espetacular, basta um escritor que lide adequadamente com as palavras, que não deixem a menor dúvida, a não ser que a trama exija. Como fez o professor Gecildo.  Tive a sorte de ter sua banca de vendas de livros na Bienal de Paulo Afonso, colada à minha. Eu tive muita sorte.     



Antônio FJ Saracura, Aracaju, 15 novembro de 2014) 

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