A AVENTURA DE SAMAEL NA TERRA TRÊS RIOS, Evandro Ximenes, Offset Editora Natal, 2020, ra 172 páginas, isbn 978-65-990089-5-5
Eu tenho Groaíras (cidade pertinho de Sobral, no Ceará) como um pouco
minha. Ouvi tantas histórias sobre Groaíras da boca de Domingos Pascoal de Melo
nas viagens pelo interiorzão de Sergipe — na plantação de sementes para o
despertar e a democratização da leitura e da escrita — que misturei Groaíras
com minha Itabaiana. Terra Vermelha e o "Cantodohamaistempo" me
parecem o mesmo lugar, com os rios Jacaracica e Groaíras cheios pelos olhos dos
paus correndo um ao lado do outro.
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Sobre o livro "A Aventura de Samael"...
O prólogo do livro me ouriçou. Estava adentrando na intimidade de um
lugar com seu povo e costumes, prometia uma narrativa espetacular. E aquele
moleque traquinas que transpirava adrenalina... seria meu novo herói?
Mas...
A tropa de ciganos passa a cavalo por uma estrada, e membros proferem
longos discursos que mais caberiam numa sala de aula ou no púlpito de uma
igreja.
Pode ter acontecido desse jeito, mas o narrador não preparou a tela para tanta tinta...
O autor escreve que vai contar um fato. Bastava contar.
Encomprida os desenlaces.
Revela a surpresa que seria essencial postergar na prosa (capítulo três,
página 39), como o final da trama que o romance ainda vai desenvolver: o
rigoroso castigo que cabe a Helena e agregados pelo atrevimento de desfrutar a
felicidade fora dos paradigmas da absurda lei divina (judaica).
Há esbanjamento de filosofia, doutrinas religiosas, mistérios suspeitos
dos livros sagrados e sabedorias canônicas... Sem que o contexto exija. Ficou
parecendo uma retórica afetada e fora do lugar.
O velho andarilho (bom personagem, com excelente entrada e postura)
desvia o rumo e cria o miolo de um novo livro: os antecedentes, o julgamento e
a condenação da família modelo. Mais um crime da absurda Santa Inquisição. Como
não encontrei bibliografia que garantisse ter sido um fato histórico, senti que
um alienígena roubou a metade do romance esperado.
Há personagens marcantes, como o ermitão Francisco do Espírito Santo e
Torquemata.
Mas o primeiro não merecia a má fama apregoada, de tarado praticante de
zoofilia.
E o segundo (espero que não seja fato histórico) não merecia ser pintado
com seus “apolos” em libidinosa orgia. Não me pareceu justa a associação do
ermitão asceta à taras animalescas, nem a do fanático religioso à pederastia.
Como o protagonista Samael, que tem o poder do Cão — pois é o próprio —,
não anteviu a desgraça que aconteceria aos seus (havia ido a Sobral comprar
mantimentos) e, além do mais, quando retorna e sabe de tudo, foge covardemente?
Que diabo fraco e frouxo é esse?
Nem parece ser o protagonista da obra.
Por fim, torci em vão para o autor conectasse as famílias remanescentes
dessa aventura (descrita com maestria desde a denúncia ao julgamento de
condenação da família modelo) às atuais famílias que constituem Groaíras
(Ximenes, Feijões, Melos...).
Os fracos links que sugere (Deolino, Pietro Cesar e seus descendentes,
ou os dois padres espertos portugueses, Lucião e Mancião) não deixaram rastros
claros, apenas indicações.
Ficou evidente apenas a herança da prática da zoofilia praticada pelos
moleques do lugar.
Julgo que Evandro Ximenes pode escrever um grande livro sobre o valoroso
povo que desbravou e colonizou esse belo canto sombreado de imponentes buritis.
Mostrou que poderia!
(Por Antônio Saracura, em 29 de outubro de 2020).
(Nota) Revisão feira pela IA do Google.

Não ler na ASL e nem publicar,
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