sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A PONTE, breve história do maior desafio de Sergipe, Ricardo Leite

A PONTE, breve história do maior desafio de Sergipe, Ricardo Leite. 1.ª edição, Porto Velho, Temática Editora, 2020. 96 pág. ISBN: 978-65-89078-05-0 (Livro digital).



Uma surpresa agradável este livro, “A Ponte”, que trata da construção da ponte Aracaju-Barra ou Construtor João Alves, ligando Aracaju à cidade de Barra dos Coqueiros.

A ponte tem 1.800 metros de extensão, é do tipo estaiada, suspensa por cabos e com dois mastros. A construção deu-se em dois anos, na última metade do governo de João Alves (desde o batimento da pedra fundamental até a entrega).



Quando inaugurada, era a segunda maior ponte urbana do Brasil e a maior do Nordeste. Possui quatro pistas para veículos, ciclovia e passarela de pedestres. Quem diria que João iria fazê-la, e tão rápido? Mas quem, além dele, poderia?

João Alves Filho nasceu em 03/07/1941. Foi um engenheiro ativo e dono de uma grande construtora, a Habitacional, que criou ainda jovem. Foi governador (1983-1987, 1991-1994, 2003-2007), prefeito (pela primeira vez de 1975-1979, e a segunda de 2013-2016) e ministro de Estado do Interior (1987-1990) no governo Sarney. Faleceu de Covid em 24/11/2020, aos 79 anos. Em 30/11/2020, foi sepultado em Aracaju, onde nasceu.

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“A Ponte” é um livro digital e está sendo distribuído gratuitamente na Internet; basta baixar. É de autoria de um escritor consagrado (Ricardo Leite), que tem bons livros publicados (nota ao final). Há no começo uma sinopse de cada capítulo. Pra quê? O leitor muito ocupado não larga o livro sem ler as sinopses, que são curtinhas e bem-feitas. E, ao ler, pensa assim: “Já que estou aqui, vou beber este vinho todo, pois me parece bom”.

Mesmo sendo um livro que trabalha fatos de nossa história (considerados com rigor científico), Ricardo Leite dá-lhe ares de romance em momentos especiais:

Como na difícil decisão de João Alves de fazer uma ponte (um projeto histórico e dispendioso) ao final de um governo que corria o risco de não se renovar por conta do contexto político do momento e do carisma do provável adversário, Marcelo Déda.

Como na luta insana para conseguir os recursos necessários, inviáveis pela situação fiscal do Estado, que estava com a "ficha suja". Quase mudou a direção do vento; teve que rasgar a lei.

Como na busca do local ideal, onde as indenizações fossem as menores, onde o leito do rio fosse mais firme, onde as correntes marítimas, as correntes de ar e as correntes da oposição política fossem mais toleráveis...

Como na escolha do nome da ponte... O governador planejava prestar uma justa homenagem a seu pai, e a mídia exacerbava o debate, chamando-a de Zé Peixe, herói popular que trazia a salvo os navios pelos perigosos caminhos submarinos da foz do rio Sergipe.

“Zé Peixe era nadador exímio e amava o rio e o mar, mas nunca falou da necessidade de uma ponte, mesmo porque ele atravessava a nado, com facilidade de peixe, a extensão de cerca de mil metros na região de sua casa modesta, na avenida que margeia o rio...”.

A campanha mantida pela oposição esvaiu-se e o nome oficial da ponte pegou para sempre, Construtor João Alves, junto com outro mais simples e incapaz de constranger: Ponte Aracaju-Barra.

Como não participar da festa de inauguração da ponte que construiu "na tora", proibido pela justiça eleitoral por estar concorrendo à reeleição para governar o Estado? A cerimônia aconteceu em 24/09/2006, às 18h, sem pompa nenhuma; o construtor e a esposa não estavam presentes.

Como no destino das tototós, acostumadas a atravessar o rio por muitos anos levando passageiros... João criara projetos para incendiar o turismo em Aracaju: urbanizou os alagados da Treze de Julho, construiu hotéis e incentivou empresários do ramo a investirem em Sergipe. As tototós poderiam vender passeios inesquecíveis aos turistas que descobriam, finalmente, Sergipe.

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“A Ponte” é um livro de leitura agradável e inclui, nas linhas e entrelinhas, uma concisa e rica biografia desse titã sergipano, João Alves Filho, além de uma interessante crônica de um momento peculiar brasileiro — a ditadura militar — e da política da província em diversos momentos de dor e de glória.

Parabéns, Ricardo Leite, pela boa leitura que me proporcionou.

(Por Antônio FJ Saracura, em 18 de setembro de 2026).

Nota:
Ricardo Leite é advogado, jornalista e servidor público federal nascido em Aracaju. É autor dos livros: Júlio Leite, o chefe invisível (2004), Jorge Prado Leite, um homem chamado trabalho (2008) e 1912: Vitória na Selva (Temática Editora, 2020). É membro da Academia Rondoniense de Letras. Para falar com o autor: ricardoleite@infonet.com.br

(Usei para revisar este texto, o Google IA, e gostei).   

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