sábado, 6 de junho de 2026

A RUA DO MEIO, Jorge Oliveira

 

A RUA DO MEIO, Jorge Oliveira, Memória autobiográfica, Aracaju, Brasil Casual, 2026, 292 p., ISBN 978-85-69888-96-3.

 

Jorge Oliveira me apareceu contando uma história que achei minha, mesmo eu tendo passado a infância nos sítios de Itabaiana em uma época anterior. Deve haver semelhança entre as infâncias vividas em qualquer lugar e tempo, nas condições normais. É nela que nos é permitido fazer, sem grande risco, experimentos, descobertas, definição de limites, ajustes... O pequeno bicho-do-mato percebe que há outros em volta com unhas afiadas também.

Virei uma fera quando o irmão comemorou com exagero a vitória dele na partida de futebol de botão.


Tomei com gosto o geladinho que a vizinha fazia com a água que deu banho no cachorro.

Manguei do colega Inácio, que tinha a cabeça de tacho, furado por cima e tapado por baixo.

Não gostei do baiano rançoso que sacudiu o pó das sandálias ao retornar, “para não contaminar sua terra com a lama de Sergipe”.

Travei a língua com a aranha que arranha a rã...

Errei meu potente chute no cachorro que me atacou em sonho e acerte, em cheio, na parede do quarto, fazendo um rombo...

(Nem tudo na vida é sonho).

Depois que levei aquele soco no olho, nunca mais quis provocar briga com colegas aparentemente mais fracos.

Fiz uma festa com a premiação no concurso literário da Secretaria de Educação de Sergipe, que marcou minha infância e me abriu para além da Rua do Meio.

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De resenha em resenha, o autor consegue provocar Euclides Paes Mendonça (que já morreu) com o pacote de canais de televisão ou tentando pagar o jantar de cortesia do Jockey Clube.

As férias do final do ano eram no sul da Bahia, Itabuna; minha mãe era de lá. Esticava com a parentada imensa até a Fazenda Sergipana, perdida no Barro Preto onde, na época, só se chegava no lombo de animais, os adultos escanchados nas cangalhas e a criançada aprontando nos caçuás.

A Vassoura-de-Bruxa (como pôde?) dizimou meio país. De uma opulência sem tamanho, o Sul da Bahia quebrou pela cepa. Como extirpar todo cacaueiro plantado, desinfetar as terras e plantar novas mudas vacinadas? Ainda esperar dois ou três anos para frutificar? A Fazenda Sergipana (rica memória narrada) foi junto; a família a vendeu pelo valor que deu.

As Copas do Mundo de futebol, os regimes políticos pelos quais passamos, a evolução tecnológica que nos desorientou no início, os novos costumes, um absurdo! O Fluminense que me encanta, os bons filmes (revejam a primeira versão de Bem-Hur, de 1959), Airton Senna merece todo louvor.

Mesmo depois de formado, eu me ligava na leitura, pelo rádio, da relação dos aprovados no vestibular. Cada nome pronunciado (mesmo desconhecido) me emocionava como se fosse meu nome no passado.

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As memórias de Jorge fluem fáceis de sua boa cabeça pela pena maneira e se consolidam em uma importante fonte de referência para a nação de nordestinos que se espalha pelo país, e particularmente, na Bahia (de Salvador ao sul do estado) e em Sergipe (de Aracaju a Salgado).

Gostei de viver na companhia do escritor Jorge Oliveira desde a bucólica, agora, Rua do Meio.

Vamos prosseguir?

Por Antônio Fj Saracura, em 06 de junho de 2026.

 

 

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