quinta-feira, 4 de junho de 2026

EXPEDITO CONTOS E MEMÓRIAS, sobre a arte literária

 

EXPEDITO CONTOS E MEMÓRIAS, sobre a arte literária 

O programa “Expedito: Contos e Memórias” ficou no ar quase dois anos ininterruptos, semanalmente, às quartas-feiras, das 8:00h às 9:00h pela rádio comunitária Jubileu de Aracaju, conectada à web. Comandado pelo escritor José Expedito de Souza, e seguindo o roteiro da produção irretocável de Excelsa Dantas, esposa do comandante. Mansinho, manhoso, com voz trêmula, mas segura, às vezes perdendo a palavra que buscava, mas sempre concluindo cabalmente a mensagem a que se propunha e, ao seu estilo, plantando um rastilho de inteligente humor capaz de provocar gargalhadas no decorrer dos dias seguintes,

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No primeiro quadro do programa, de cinco minutos, Expedito se apresentava e ao intelectual convidado.

O operador da mesa, Lito, fazia uma pergunta ao visitante.

Lito abre o estúdio, liga e desliga os botões. Ninguém mais conseguiria colocar outra vez a rádio Jubileu no ar. Expedito, tácito, com um sorriso ínfimo, agradece a interferência.

No segundo quadro do programa, de dez minutos, Expedito lia uma crônica de sua autoria publicada em algum livro (Relógio do Tempo, Bodegas, O Tempo de cada um...). Uma boa maneira de se divulgar. As crônicas de Expedito são ótimas e ele anda por linhas carregadas de sentido.

Concluída a leitura, Expedito conclamava os ouvintes a tecerem comentários. Estabelecia-se um debate enxuto no qual, para suprir ouvintes silenciosos, Lito entrava colaborativo.

O último quadro era dedicado ao convidado e seguia um roteiro padrão de perguntas e respostas.

Uma hora de boa cultura, imperdível. A esperança era os ouvintes WEB porque locais eram um pingo.

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Em abril de 1967, eu estava sendo admitido como auxiliar de escritório na Petrobrás. Atento, sentado em frente a um birô no qual Expedito (eu ainda não sabia seu nome, e ele não me dera qualquer sinal amistoso) batia minha admissão. Aqui e acolá, de vista baixa, expunha alguma dúvida, que eu esclarecia. A certa altura, levantou os olhos e perguntou-me:

- Qual é o seu nome de guerra?

Eu não sabia o que era aquilo. Ele percebeu.

- Nome para ser colocado no crachá?

Peguei mais ou menos o sentido e respondi.

- Tonho!

Ele recuou o tronco e me encarou:

- Tonho não pode. Antônio e Francisco já têm demais. Vai ser Jesus,

 

Eu quis contestar, mas não possuía mais nenhum nome.

Passei mais de 40 anos sendo chamado de Jesus, com muito mais portas abertas por isso.

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Correu o tempo.

Eu me aposentara e morava em Aracaju de volta, e publicara meu primeiro livro: “Os Tabaréus do Sítio Saracura”. Fazia bicos em uma imobiliária, onde um irmão, muito parecido comigo, era campeão de vendas. Todos o chamavam de Jesus, talvez por um motivo parecido com o meu.

Na segunda semana, eu vendi um apartamento de luxo achando que o cliente me conhecia de algum lugar, pois caíra em meus braços tão solícito.

Deu o maior xabu. Meu irmão tomou a venda e exigiu que eu arrumasse outro nome. Assim nasceu Saracura.

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O programa “Expedito: Contos e Memórias” saiu do ar após 86 edições, realizadas entre 08/03/2023 e 26/02/2025. Boa parte dos escritores do Estado foi entrevistada. Poucos mandaram um obrigado depois. Qualquer trabalho requer alguma recompensa, qualquer que seja.

O combustível do reconhecimento circula ruim por aqui, e começou a fazer falta.

Expedito foi-se cansando, perdeu o ânimo e o sono,  exauriu-se...

O programa escravizou o criador. Em legítima defesa, o criador matou programa.

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Restaram os vídeos no canal YouTube,

Compulsei-os agora e apenas 67 pessoas, em média, visitaram cada um neste tempo todo. Não deu para saber se a estrela estava entre os visitantes.

Mas os vídeos estão disponíveis e ainda podemos, nós todos que fomos as estrelas, divulgá-los, mesmo tardiamente. Pelo menos, assistir ao nosso e pinçar trechos que ainda valem a pena divulgar. Escrever algumas palavras sobre a nossa participação e publicar em algum meio, como uma homenagem justa ao grande José Expedito de Souza, que nos fez a principal atração nos programas de rádio que produziu.

Parabéns, José Expedito de Souza!

Obrigado pelo apoio que nos proporcionou na divulgação de nossos livros, de nossos projetos, de nossos sonhos.

 

(Por Antônio FJ Saracura, em 30 de maio de 2026)

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