EXPEDITO CONTOS E MEMÓRIAS, sobre a arte literária
O programa “Expedito: Contos e Memórias” ficou no ar quase dois anos ininterruptos, semanalmente, às quartas-feiras, das 8:00h às 9:00h pela rádio comunitária Jubileu de Aracaju, conectada à web. Comandado pelo escritor José Expedito de Souza, e seguindo o roteiro da produção irretocável de Excelsa Dantas, esposa do comandante. Mansinho, manhoso, com voz trêmula, mas segura, às vezes perdendo a palavra que buscava, mas sempre concluindo cabalmente a mensagem a que se propunha e, ao seu estilo, plantando um rastilho de inteligente humor capaz de provocar gargalhadas no decorrer dos dias seguintes,
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No primeiro quadro do
programa, de cinco minutos, Expedito se apresentava e ao intelectual convidado.
O operador da mesa, Lito,
fazia uma pergunta ao visitante.
Lito abre o estúdio, liga
e desliga os botões. Ninguém mais conseguiria colocar outra vez a rádio Jubileu
no ar. Expedito, tácito, com um sorriso ínfimo, agradece a interferência.
No segundo quadro do
programa, de dez minutos, Expedito lia uma crônica de sua autoria publicada em
algum livro (Relógio do Tempo, Bodegas, O Tempo de cada um...). Uma boa maneira
de se divulgar. As crônicas de Expedito são ótimas e ele anda por linhas carregadas
de sentido.
Concluída a leitura, Expedito
conclamava os ouvintes a tecerem comentários. Estabelecia-se um debate enxuto
no qual, para suprir ouvintes silenciosos, Lito entrava colaborativo.
O último quadro era
dedicado ao convidado e seguia um roteiro padrão de perguntas e respostas.
Uma hora de boa cultura,
imperdível. A esperança era os ouvintes WEB porque locais eram um pingo.
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Em abril de 1967, eu
estava sendo admitido como auxiliar de escritório na Petrobrás. Atento, sentado
em frente a um birô no qual Expedito (eu ainda não sabia seu nome, e ele não me
dera qualquer sinal amistoso) batia minha admissão. Aqui e acolá, de vista
baixa, expunha alguma dúvida, que eu esclarecia. A certa altura, levantou os
olhos e perguntou-me:
- Qual é o seu nome de guerra?
Eu não sabia o que era aquilo.
Ele percebeu.
- Nome para ser colocado
no crachá?
Peguei mais ou menos o sentido
e respondi.
- Tonho!
Ele recuou o tronco e me
encarou:
- Tonho não pode. Antônio
e Francisco já têm demais. Vai ser Jesus,
Eu quis contestar, mas
não possuía mais nenhum nome.
Passei mais de 40 anos
sendo chamado de Jesus, com muito mais portas abertas por isso.
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Correu o tempo.
Eu me aposentara e morava
em Aracaju de volta, e publicara meu primeiro livro: “Os Tabaréus do Sítio
Saracura”. Fazia bicos em uma imobiliária, onde um irmão, muito parecido
comigo, era campeão de vendas. Todos o chamavam de Jesus, talvez por um motivo
parecido com o meu.
Na segunda semana, eu
vendi um apartamento de luxo achando que o cliente me conhecia de algum lugar,
pois caíra em meus braços tão solícito.
Deu o maior xabu. Meu
irmão tomou a venda e exigiu que eu arrumasse outro nome. Assim nasceu Saracura.
O programa “Expedito:
Contos e Memórias” saiu do ar após 86 edições, realizadas entre 08/03/2023 e 26/02/2025.
Boa parte dos escritores do Estado foi entrevistada. Poucos mandaram um
obrigado depois. Qualquer trabalho requer alguma recompensa, qualquer que seja.
O combustível do
reconhecimento circula ruim por aqui, e começou a fazer falta.
Expedito foi-se cansando,
perdeu o ânimo e o sono, exauriu-se...
O programa escravizou o criador.
Em legítima defesa, o criador matou programa.
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Restaram os vídeos no
canal YouTube,
Compulsei-os agora e apenas
67 pessoas, em média, visitaram cada um neste tempo todo. Não deu para saber se
a estrela estava entre os visitantes.
Mas os vídeos estão
disponíveis e ainda podemos, nós todos que fomos as estrelas, divulgá-los,
mesmo tardiamente. Pelo menos, assistir ao nosso e pinçar trechos que ainda
valem a pena divulgar. Escrever algumas palavras sobre a nossa participação e
publicar em algum meio, como uma homenagem justa ao grande José Expedito de
Souza, que nos fez a principal atração nos programas de rádio que produziu.
Parabéns, José Expedito de
Souza!
Obrigado pelo apoio que
nos proporcionou na divulgação de nossos livros, de nossos projetos, de nossos
sonhos.
(Por Antônio FJ Saracura,
em 30 de maio de 2026)
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