quinta-feira, 4 de junho de 2026

PAPÉIS INVERTIDOS E OUTRAS HISTÓRIAS, de Bernivaldo Carneiro

 

PAPÉIS INVERTIDOS E OUTRAS HISTÓRIAS, de Bernivaldo Carneiro, Botucatu, São Paulo, edição do autor, 2024, contos brasileiros, humor na literatura, ISBN 978-65-01-02627-5.

 


Houve um evento em São Cristóvão, Sergipe, em agosto de 2025, chamado Confraria Sancristovense de História e Memória. Seria a terceira edição e, certamente, também um sucesso.

Como incluía uma feira de livros, eu fui me aventurar a vender os meus (que precisam tanto de leitores). Instalado devidamente, fui me apresentar aos escritores que tentavam o mesmo, vindos do Brasil inteiro. Eu me entroso fácil e logo estava na banca de Bernivaldo Carneiro, escritor do Ceará (havia uma grande comitiva deles).

Me agradei do bom humor e acolhimento do escritor e trocamos nossos livros.

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Minha fila de leitura está, como sempre, invencível, mas tenho achado espaços para saborear, aqui e acolá, os contos de “Papéis Invertidos”, o livro que me coube no escambo.

São histórias de vida lastreadas pelos costumes do lugar (o Ceará é do tamanho do Brasil inteiro) e nomeando personagens (alguns políticos) que, de tão bem-feitos, me pareceram que existem de verdade.

Então o autor é destemido, pois aqui, imagino que lá também, os poderosos não toleram o foco das nossas lanternas os alumiando e muitos partem para a ignorância.

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Como falar de 33 contos se a resenha que escrevo não deve ultrapassar uma página A4 Arial 14, para poder ser lida na Academia de Letras, que me dá espaço e plateia?

Após a leitura, folheei “Papéis Invertidos...” de olho nas anotações “ilegíveis” que faço na leitura às margens desocupadas e quase sempre apertadas. E escolhi um dos contos que mereceram um “ótimo”: “Agora eu Danço”.

Sem prejuízo aos demais, mesmo os que não foram tão bem distinguidos, eles mereceriam uma nova leitura, como a que dei a “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e que se revelou um dos melhores romances que li na vida. Que me perdoem! Meu tempo, pra tudo, está um nadinha.

“Agora eu Danço” tem humor afinado (o humor é o ponto marcante em todo o livro), escrita concisa e trama coerente... A leitura produz, naturalmente, imagens nítidas, vivas como se fossem um bom filme. Que é o padrão do “Papéis invertidos e outros contos”. 

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Resta-se parafrasear Alessandra Valle, que escreve na primeira orelha da obra: “Uma leitura imperdível para quem aprecia uma boa dose de humor inteligente e originalidade literária”.

(Por Antônio FJ Saracura, em Aracaju, 23 de maio de 2026).

 

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