DEDICATÓRIAS DE UMA APRENDIZ, Laura Lorrany, Usina de textos, 124 páginas, poesia, 2026, Salvador, BA, ISBN 978-65-5166-015-3

Laurinha, menina de 15 anos de idade, do Clube de Leitura
Sementes do Amanhã, de Lagarto, me diz, aqui no WhatsApp (25/11/2025), que vai
publicar seu primeiro livro de poemas: “Dedicatórias de uma aprendiz”. E me
pede para escrever uma mensagem e pergunta se eu poderei estar no lançamento.
Eu a conhecera no meio da plateia de mais de cem garotas e
garotos levantando a mão, pedindo a palavra, querendo participar da roda de
conversa sobre meu livro: “O Menino Amarelo”. Fora um dia mágico no salão de
festas “Entre”, da cidade, comandado pelos professores Renato Araújo (o mago-mor),
Igor e Mayra.
Então respondi na hora: “Vou ao lançamento, sim! Quero estar
presente onde as sementes nem esperam o amanhã chegar. Mas, se eu não aparecer
(já não sou uma semente que o vento leva), autografe o meu exemplar e mande
pelo primeiro portador”.
(Dias depois, Laura me perguntou se poderia publicar a nossa
conversa como a mensagem que demorei a enviar, pois o tempo passara. Concordei
na hora).
xxx
O livro foi lançado e estou de posse do meu exemplar, que
acabo de ler.
Talvez poemas sejam como as pessoas, mudam (dentro deles) a cada
vento. Agora gostam de alguém e agora mesmo (quase), nos próximos versos, a odeiam.
Os poemas dos novos poetas que tenho lido são colchas de
retalhos produzidos por um pincel em alucinado brainstorming. Tento
entender por que cada retalho está ali encravado, mas retrocedo sobre meu
rastro, pois destruiria a concha que não é minha, e não deixa de ser bela.
Talvez venha disso a expressão de que a emenda saiu pior que
o soneto (Manuel Maria Barbosa du Bocage, 1765-1805); de que é melhor coser uma concha nova do que
consertar uma já feita
xxx
Quando alcancei a página 104, no poema “Mania Você”, estaquei. Reli-o para ter certeza. Estava tudo no lugar que Deus manda. Tinha
unidade. Se fora uma colcha, os retalhos eram aqui fundamentais para compor a
harmonia que busquei. Gostei de graça.
E os poemas seguintes seguiram este padrão.
“Recomeço”... Entendi, gostei.
“Desassociada”, igual.
Em “Alterada” tem estrutura, bom poema.
Em “Melancolia” anotei que não concordava que a poeta fosse
viciada em estar mal, como se eu pudesse me meter nisso. Não seria viciada em
esperança?
“Minha Estrela” é doce.
“O preço de amar”, porreta.
“O Menino Amarelo” é ótimo. Saracura nos prende em transe
com suas palavras hipnotizantes.
Obrigado, Laurinha, pelo livro todo.
Talvez eu tenha achado a chave que abre a porta da poesia de
Laura.
Então, eu deveria reler o livro e desfrutar da beleza
escondida nos poemas e protegida por segura chave, agora à mão.
Preferi “fingir” que lia para gostar mais talvez.
Aracaju, 24 de maio de 2026. Por Antônio FJ Saracura
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