quinta-feira, 4 de junho de 2026

DEDICATÓRIAS DE UMA APRENDIZ, Laura Lorrany

 

DEDICATÓRIAS DE UMA APRENDIZ, Laura Lorrany, Usina de textos, 124 páginas, poesia, 2026, Salvador, BA, ISBN 978-65-5166-015-3




Laurinha, menina de 15 anos de idade, do Clube de Leitura Sementes do Amanhã, de Lagarto, me diz, aqui no WhatsApp (25/11/2025), que vai publicar seu primeiro livro de poemas: “Dedicatórias de uma aprendiz”. E me pede para escrever uma mensagem e pergunta se eu poderei estar no lançamento.

Eu a conhecera no meio da plateia de mais de cem garotas e garotos levantando a mão, pedindo a palavra, querendo participar da roda de conversa sobre meu livro: “O Menino Amarelo”. Fora um dia mágico no salão de festas “Entre”, da cidade, comandado pelos professores Renato Araújo (o mago-mor), Igor e Mayra.

Então respondi na hora: “Vou ao lançamento, sim! Quero estar presente onde as sementes nem esperam o amanhã chegar. Mas, se eu não aparecer (já não sou uma semente que o vento leva), autografe o meu exemplar e mande pelo primeiro portador”.

(Dias depois, Laura me perguntou se poderia publicar a nossa conversa como a mensagem que demorei a enviar, pois o tempo passara. Concordei na hora).

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O livro foi lançado e estou de posse do meu exemplar, que acabo de ler.

Talvez poemas sejam como as pessoas, mudam (dentro deles) a cada vento. Agora gostam de alguém e agora mesmo (quase), nos próximos versos, a odeiam.

Os poemas dos novos poetas que tenho lido são colchas de retalhos produzidos por um pincel em alucinado brainstorming. Tento entender por que cada retalho está ali encravado, mas retrocedo sobre meu rastro, pois destruiria a concha que não é minha, e não deixa de ser bela.

Talvez venha disso a expressão de que a emenda saiu pior que o soneto (Manuel Maria Barbosa du Bocage, 1765-1805);  de que é melhor coser uma concha nova do que consertar uma já feita

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Quando alcancei a página 104, no poema “Mania Você”, estaquei. Reli-o para ter certeza. Estava tudo no lugar que Deus manda. Tinha unidade. Se fora uma colcha, os retalhos eram aqui fundamentais para compor a harmonia que busquei. Gostei de graça.

E os poemas seguintes seguiram este padrão.

“Recomeço”... Entendi, gostei.

“Desassociada”,  igual.

Em “Alterada” tem estrutura, bom poema.

Em “Melancolia” anotei que não concordava que a poeta fosse viciada em estar mal, como se eu pudesse me meter nisso. Não seria viciada em esperança?

“Minha Estrela” é doce.

“O preço de amar”, porreta.

“O Menino Amarelo” é ótimo. Saracura nos prende em transe com suas palavras hipnotizantes.

Obrigado, Laurinha, pelo livro todo.

Talvez eu tenha achado a chave que abre a porta da poesia de Laura.

Então, eu deveria reler o livro e desfrutar da beleza escondida nos poemas e protegida por segura chave, agora à mão.

Preferi “fingir” que lia para gostar mais talvez.

Aracaju, 24 de maio de 2026. Por Antônio FJ Saracura

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