quinta-feira, 4 de junho de 2026

EXPEDITO E SUA OBRA, sobre a arte literária


 

EXPEDITO E SUA OBRA, sobre a arte literária

 



Expedito é meu amigo desde quando entrei na  Petrobras (abril de 1967). Na época, eu já fazia o curso superior de Ciências Econômicas e Expedito parara de estudar, conformara-se com o curso médio. Vendo-me empenhado nos estudos, ele achou que também podia e formou-se, mais tarde, em Ciências Econômicas.

Foi ele que me avisou da medalha de honra ao mérito que a UFS me conferiu no final do curso e estava azinhavrando no tiracolo do assessor de comunicação. 

Fui padrinho de seu casamento (olá, comadre Excelsa!) em uma de minhas férias em Aracaju.

Foi Expedito que guardou parte de meus livros quando fui transferido para a Petrobras em São Paulo (1971). Nos aptos de sampa, os que que cabiam no meu salário, não cabiam todos os meus  livros. Recuperei-os trinta anos depois, joias preciosas, dos quais morri  de saudade este tempo todo.

Quando  ele leu meu primeiro livro (publicado em 2008), Os Tabaréus do Sítio Saracura, achou que podia publicar também e abriu a gaveta das especiarias.

Já publicou uma coleção de belas obras (Álbum de Aracaju, Memória de Aracaju: Bodegas, Relógio do Tempo...), com os quais revelou a memória de nossa cidade e de nosso povo.

Álbum de Aracaju mostra, em fotos feitas pelo autor, Aracaju saindo  chácaras para os arranha-céus, virando uma  metrópole moderna.

Bodegas capta a sociedade aracajuana vivendo com as cadernetinhas de crédito, com as entregas em cestos, com o comércio familiar das vendas em bodegas. Havia esquinas com quatro, cada uma com sua clientela própria e todas produzindo renda suficiente para os donos (famílias vindas do interior) se manterem com dignidade.

Relógio do Tempo, Tempos de Almas e Anjos... vêm do Riachão com seus espaços, moradores e causos: O bilhar de seu  Zuza,  os tanques de banho, a caça das lagartixas, o reisado da Carnaúba,  Maria Alice,  Zé Padre... Passam por Aracaju onde o autor  foi ajudante de bodegueiro nos estabelecimentos do pai e das tias,  respirou as  areias em volta de tudo, falou dos primos que são doutores, da luta da família, dos carros e amigos antigos.

A obra literária de Expedito Souza é bem humorada, agradável. Revela, de forma indelével, um invejável cabedal histórico de nosso povo e lugar, E é parelha, puxada para cima,  de outras produzidas pelos considerados pais exclusivos da nossa memória.

Tenho a felicidade de ser contemporâneo, conterrâneo e desfrutar de sua amizade diariamente.  

Obrigado, José Expedito de Souza, pela parte que me toca em sua grandeza. 

Por Antônio FJ Saracura, em 31 de maio de 2026.

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