EXPEDITO E SUA OBRA, sobre a arte literária
Expedito é meu amigo desde quando entrei na Petrobras (abril de 1967). Na época, eu já fazia o curso superior de Ciências Econômicas e Expedito parara de estudar, conformara-se com o curso médio. Vendo-me empenhado nos estudos, ele achou que também podia e formou-se, mais tarde, em Ciências Econômicas.
Foi ele que me avisou da
medalha de honra ao mérito que a UFS me conferiu no final do curso e estava
azinhavrando no tiracolo do assessor de comunicação.
Fui padrinho de seu
casamento (olá, comadre Excelsa!) em uma de minhas férias em Aracaju.
Foi Expedito que guardou
parte de meus livros quando fui transferido para a Petrobras em São Paulo
(1971). Nos aptos de sampa, os que que cabiam no meu salário, não cabiam todos
os meus livros. Recuperei-os trinta anos
depois, joias preciosas, dos quais morri
de saudade este tempo todo.
Quando ele leu meu primeiro livro (publicado em 2008),
Os Tabaréus do Sítio Saracura, achou que podia publicar também e abriu a gaveta
das especiarias.
Já publicou uma coleção
de belas obras (Álbum de Aracaju, Memória de Aracaju: Bodegas, Relógio do Tempo...),
com a qual revela a memória de nossa cidade e de nosso povo.
Álbum de Aracaju mostra,
em fotos feitas pelo autor, Aracaju saindo chácaras para os arranha-céus, virando uma metrópole moderna.
Bodegas capta a sociedade
aracajuana vivendo com as cadernetinhas de crédito, com as entregas em cestos,
com o comércio familiar praticado em pequenas mercearias chamadas de bodegas. Havia
esquinas com quatro, cada uma com sua clientela própria e todas produzindo
renda suficiente para os donos (famílias vindas do interior) se manterem com dignidade.
Relógio do Tempo, Tempos
de Almas e Anjos... vêm do Riachão com seus espaços, moradores e causos: O bilhar
de seu Zuza, os tanques de banho, a caça das lagartixas, o reisado
da Carnaúba, Maria Alice, Zé Padre... Passam por Aracaju onde o autor foi ajudante de bodegueiro nos
estabelecimentos do pai e das tias, respirou
as areias em volta de tudo, falou dos primos que são
doutores, da luta da família, dos carros e amigos antigos.
A obra literária de Expedito
Souza é bem humorada, agradável. Revela, de forma indelével, um invejável cabedal
histórico de nosso povo e lugar, E é parelha, puxada para cima, de outras produzidas pelos considerados pais
exclusivos da nossa memória.
Tenho a felicidade de ser
contemporâneo, conterrâneo e desfrutar de sua amizade diariamente.
Obrigado, José Expedito
de Souza, pela parte que me toca em sua grandeza.
Por Antônio FJ Saracura,
em 31 de maio de 2026.


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