quarta-feira, 14 de outubro de 2026

SIRIRI: RETRATOS DE UM POVO, organização de

 

SIRIRI: RETRATOS DE UM POVO, organização de membros da Academia de Letras, Ciências e Artes de Siriri. 224 páginas com ilustrações, Editora Colosso, 2026. ISBN 978-65-84932-31-9.



“Uma das versões mais difundidas entre os moradores, afirma que a origem de Siriri remonta à instalação de uma aldeia indígena comandada por um líder chamado Siriri, irmão do cacique Serigy. Esse processo teria ocorrido durante o período das invasões holandesas no litoral nordestino, quando grupos indígenas foram forçados a deslocar-se para o interior. Foi num local conhecido como 'Pé do Banco' que encontraram condições favoráveis para estabelecer as suas famílias.


A ocupação territorial do espaço sergipano está diretamente relacionada com a expansão da pecuária. Nesse contexto, a povoação de Jesus, Maria e José do Pé do Banco (novo nome de Pé do Banco) teve origem a partir de um curral, ou seja, de um pequeno núcleo voltado para a criação de gado.

A criação da freguesia ocorreu de forma gradual, envolvendo não apenas aspetos religiosos — como a presença de um sacerdote —, mas também implicações políticas. Inicialmente, a freguesia estava subordinada à vila de Divina Pastora.

Em 1938, com a implantação de uma nova divisão territorial, administrativa e judiciária do estado de Sergipe, Siriri foi elevada à categoria de cidade-sede... consolidando, assim, a sua emancipação política.” (Excerto do artigo de Manoel Messias Santos, membro da Academia de Letras de Siriri, página 206).


Tenho aqui na minha estante, ao alcance da mão, livros similares a este (alguns com alentados perfis dos seus imortais) produzidos por muitas das academias do interior sergipano. Estas instituições surgiram da cabeça teimosa e da mão pródiga do escritor Domingos Pascoal de Melo — o “semeador de academias”, como é conhecido — ou dos seus apóstolos.

Satisfaz-me, de modo especial, essa busca pela identidade dos espaços e das coisas (povoados, ruas, pessoas, costumes, história, etc.) que cada academia de letras tem promovido desde a sua estruturação. Sergipe possui hoje quase setenta academias de letras instaladas. Destas, mais de sessenta brotaram dessa obsessão pascoalina.


"Retratos de um povo" é composto por setenta textos curtos (poemas, crónicas, memórias e artigos de opinião), quase todos resgatando aspetos da memória do lugar, à semelhança dos volumes das demais academias.

Nesta Antologia produzida pela Academia de Letras de Siriri, destacarei algumas crónicas, poemas e memórias, prestando uma homenagem também aos restantes autores, já que são tantos:

Ana Cláudia Mendonça, confreira lá da Academia Sergipana e que nasceu aqui, canta em versos o povoado Itaperoá, onde estão as suas raízes.

Tânia Marinho fez uma festa de Reis neste janeiro e chamou a banda do Sr. Zé Sem Nome: pífanos afinados, zabumba marcadeira, pandeiro alvoroçado... Quase não saí do terreiro da casa dela.

E o cronista fino Antônio Carlos Santana retornou ao Pé do Banco e contou-me que Siriri hoje respira prosa, fé e teimosia por entre nove distintos povoados: Sabinópolis, Itaperoá, Fazendinha (de baixo e de cima), Mata do Cipó, Castanhal, Vila Nova, Lagoa Grande, Siririzinho e Piranhas.

Maria Auxiliadora Santana disseca as cabacinhas, a "arma fatal de guerra" das brincadeiras que a população curte desde janeiro até ao Carnaval.

A poeta Maria Salete (Saletinha), rainha do cordel sergipano, ensinou-me no seu poema que, naquele Sergipe de 1637, havia 400 currais de gado, e que o situado no Pé do Banco era chamado de “Curral do Camarão”.

Valfredo Luiz da Silva aponta-me o Remanso, onde uma capelinha foi construída — talvez na taba de Japaratuba e dos seus dois filhos (também caciques) — e que hoje é a praça mais importante da cidade.

E Maria Anunciada dos Santos relembra: "Mata do Cipó é o povoado onde nasci. É aqui que nasce também o Rio Siriri. Brota do sangradouro, parte dividindo Capela de Siriri, atravessa as fazendas Pau-ferro, Faustino e Roça de Dentro, banha Siriri (o antigo Pé do Banco) a caminho do rio Japaratuba, a caminho do mar.”


Todos os textos são bem escritos, bem editados e de uma leitura muito agradável. Cada autor vem biografado no rodapé das suas páginas, sendo todos imortais da novel academia de letras do município de Siriri.

(Por Antonio FJ Saracura, Aracaju, 14 de outubro de 2026).

Nota: Revisão rápida pelo IA Google.

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