quarta-feira, 4 de outubro de 2023

O CAPITÃO SAIU PARA O ALMOÇO..., Charles Bukowski

 

O CAPITÃO SAIU PARA O ALMOÇO..., Charles Bukowski, LPM Pocket, Porto Alegre, 2019, ficção americana, novela, ISBN 978-85-254-1210-2

       

Jack Kerouac e Charles Bukowski são dois autores "marginais" americanos que dão gosto ler. Quando nenhum livro estabelecido me satisfaz, quando vou perdendo a esperança do inusitado na leitura, pego qualquer livro de um ou do outro e o leio por ler, despojado, sem obrigação de prestar conta. Viajo sem bagagem e sem dinheiro, nem levo meu vidrinho de comprimidos no bolso. 

E me recupero. 

Como estes dois autores, somente Geoges Simenon, em outro estilo, mais rigoroso, para ocasiões especiais, e Saracura, que sou eu mesmo, cuja releitura me incendeia de fogo novo, mas nem uso muito porque disponho dele na hora que eu quiser.

O livro “O Capitão saiu para o almoço...” é formado de trechos do diário do autor nos últimos anos de vida (29/08/1991 até 27/02/1993, faleceu em 1994), quando nem mais ligava para o prêmio que lhe pagava o cavalo vencedor no Hipódromo. O livro é considerado pela crítica como o testamento literário e filosófico do velho Buk.

E eu, como busco mas não consigo escrever igual a Bukowski, uso, a seguir, trechos de seu livro, para concordar com a crítica, pegar parte do que me coube neste testamento e para seu deleite, se tiver bom gosto, que acho que tem, pois está comigo até agora. 

(Sobre o passado e o futuro):

“Tive pouco na maior parte da vida. Sei o que é morar em um banco de praça, e sei o desconforto de o proprietário bater na porta cobrando o aluguel.”

“Uma noite, eu dormi, bêbado, em cima de uma lata de lixo. Em New York. Fui acordado com um enorme rato sobre minha barriga. Nós dois, de uma só vez, pulamos quase um metro para cima. Eu estava tentando ser um escritor.”

“O suicídio é como uma luz que pisca. No escuro. Alguma coisa que faz você continuar? De outra forma, seria apenas loucura. Cada vez que escrevo um bom poema, é mais uma muleta que me faz seguir em frente.”

(Sobre outros escritores):

“A criatividade da maioria dos escritores tem vida curta. Ouvem os elogios e acreditam neles. Quando é influenciado pelos críticos, editores ou leitores está acabado. Quando for influenciado pela sua fama e por sua fortuna pior ainda."

“Poucos escritores gostam do trabalho de outros escritores Eles só gostam dos outros quando morrem ou se já morreram há muito tempo. Não gosto nem mesmo de falar com escritores, de vê-los, ou, pior, de ouvi-los.”

“Depois de décadas escrevendo (escrevi um monte), quando leio outro escritor acho que posso dizer exatamente quando ele está fingindo, a mentira salta aos olhos. Posso adivinhar qual será a próxima linha, o próximo parágrafo. Não há brilho, emoção, risco. (Escrever) é uma tarefa que eles aprenderam, como consertar uma torneira que pinga.”

 (Sobre leitores e jornalistas):

“Um escritor só deve ao seu texto. Ele não deve nada ao leitor, exceto a disponibilidade da página impressa. E muitos dos que batem à porta do escritor famoso não são nem leitores, só ouviram falar alguma coisa sobre a obra do escritor. O melhor leitor é o que me recompensa com sua ausência."

“Eu simplesmente disse que o trabalho de escritor é escrever. Não ficar dando entrevista. Se eu for queimado por estes fajutos (repórteres), a culpa é minha.”

(Sobre o meu trabalho de escritor):

“Ao escrever, você deve deslizar. As palavras podem ser distorcidas e instáveis, mas, se deslizam, há um certo deleite, que ilumina. Sherwood Anderson foi dos que melhor brincou com as palavras, como se fossem pedras, ou pedaços de comida para serem comidos. PINTAVA as palavras no papel. E elas eram tão simples que você sentia fachos de luz, portas se abrindo, paredes brilhando. Mas também eram como balas de revólver. Te atingiam em cheio.”

“Se estou sendo dilacerado pelo stress, olho para meu gato dormindo ou meio dormindo e relaxo. Escrever é também meu gato. Escrever me faz enfrentar coisas. Me acalma. Por um tempo, pelo menos. Não consigo entender os escritores que decidem parar de escrever. Como podem esfriar?”.

“Para eu escrever, gosto de assistir lutas de boxe, ver o incessante jab,direto de direita, o gancho de esquerda, o uppdercut, o counter punch. Gosto de vê-los (os pugilistas) lutarem, sairem da tela. Existe algo a ser aprendido, algo a ser aplicado à arte de escrever, à maneira de escrever. Você só tem uma chance, que logo desaparece. Se não aproveita, sobram páginas, que você pode queimar.” Sobra a lona.

 Xxx

E assim são todas as páginas (150) do pocket, misturam operação de catarata, música clássica, show de rock, beijos em Linda, impaciência com os pedantes poetas mantidos pelas mães bajuladas. Tiradas espirituosas... E palavrões, palavrões, palavrões embalando as lições de um velho safado e escritor de mão cheia. 

Por Antônio Saracura, em 03 de outubro de 2023

 


terça-feira, 3 de outubro de 2023

ENCAIXOTANDO MINHA BIBLIOTECA, Alberto Manguel


 

ENCAIXOTANDO MINHA BIBLIOTECA, Alberto Manguel, 1 edição, São Paulo, Companhia das Letras, 2021, tradução de Jorio Dauster, isbn 978-65-5921-088-6.

 

Era um final de tarde de sábado, eu estava na Escariz Jardins cumprindo minha missão de “O Escritor na Livraria”, quando chegou Adélia Mota, cronista fina de “À Sombra da Mangueira e outros contos”.

Conversamos até noitinha de livros, de autores daqui e do mundo, de Itabaiana que é nossa pátria comum. Quase não encontro Adélia, ela é professora em vários colégios e eu vivo fechado na minha caverna. E quase ela não fala quando nos cruzamos: “Oi eu, oi ela”. Mas hoje Adélia está elétrica, espiritada, como em sala de aula. E eu presto atenção e emito, somente, esporádicos runs-runs.

***

Eu já estava no caixa pagando um livro encomendado pela minha netinha Pietra, e Adélia, que ficara fuçando prateleiras, deu um psiu e me mandou aguardar, com a mão espalmada. E veio com um livro na mão: “Compre e leia! Sei que você não conhece este argentino porreta.”

Em casa, vi que era  um livrinho 12 por 18, de cantos abaulados, de autoria Alberto Manguel, intitulado “Encaixotando minha biblioteca”. 175 páginas de letra de tamanho bom de ler. E que o autor, na juventude, prestou serviço de leitor de livros ao já cego Jorge Luís Borges (que você sabe quem é); e que  morou em vários países e, em cada mudança, carregava uma biblioteca de 35 mil exemplares, daí o título do livro.

***

O livro compõem-se de elegias (um texto poético melancólico) e digressões/reflexões sobre livros e eventos correlatos. Comecei a ler, mais por obrigação.

***

Três meses depois (o livro andou comigo em salas de espera de consultórios médicos, em reuniões maçantes, até mesmo aqui em casa, tentando me enfadar para agarrar no sono), acabei de ler e não descobri porque a professora me passou este dever de casa.

Talvez ela não soubesse que sou um leitor rude que precisa soletrar para entender palavras compridas, talvez achasse que eu merecia um bom castigo por viver cercado de livros bancando intelectual sem o ser

Mas já que naveguei nos mares, trago para você que é teimoso e ainda me segue, algumas especiarias das Índias (fora do contexto, o qual você pode criar na imaginação ou eu teria que reescrever o livro todo aqui). Algumas das especiarias que me agradaram, nas quais Manguel se pareceu, a meu ver,  com Saracura:

“Um homem não teria o menor prazer em descobrir todas as belezas do universo, mesmo do céu, a menos que tivesse um parceiro com quem compartilhar suas alegrias.” (Página 8).

“Quando a Mona Lisa foi roubada do Louvre em 1911, multidões foram contemplar o espaço vazio com os quatro pinos que sustentavam o quadro, como se a ausência estivesse impregnada de sentido. De pé na minha biblioteca vazia senti o peso dessa ausência num grau quase insuportável.” (Página 14).

“Eu tinha nas estantes dezenas de livros muitos ruins que eu não jogava fora, caso algum dia precisasse de um exemplo de livro de má qualidade.” (Página 15).

“Se eu desejava que alguém lesse determinado livro, que havia em minha biblioteca, eu comprava um exemplar e o oferecia como presente. Emprestar um livro significa incitar o roubo.” (Página 15).

“Por mais que seja minha intenção inicial de ler ou de escrever algo, me perco no caminho. Para admirar uma citação ou ouvir uma historinha; distraio-me com questões que não têm nada a ver com meu propósito, sou carregado por um fluxo de associação de ideias.” (Página 17).

“Desejo a materialidade das coisas verbais, a sólida presença do livro, seu formato, tamanho e textura. Compreendo a conveniência dos livros imateriais e a importância deles na sociedade do século XXI, mas para mim eles equivalem a relações platônicas.” (Página 24).

“Apertos de mão e abraços, debates acadêmicos e esportes de contato, nunca são suficientes para romper nossa convicção de individualidade. Nosso corpo é uma burca que nos protege do resto da humanidade. E não há necessidade alguma de que Simeão Estilita, o antigo, suba no topo de uma coluna no deserto para se sentir isolado de seus semelhantes. Estamos condenados à singularidade.” (Página 25).

“A busca pelos outros - enviando mensagens falando pelo skipe ou procurando parceiros para jogar - estabelece nossa própria identidade. Somos ou nos tornamos porque alguém reconhece nossa presença. Ser é ser percebido.” (Página 29).

“Bradbury explica que teve o primeiro vislumbre do pavoroso mundo de Fahrenheit51 no começo da década de 1950, ao ver um casal caminhando de mãos dadas numa calçada de Los Ângeles: cada um ouvia um rádio portátil. (Página 37).

“Se vale a pena fazer alguma coisa, vale a pena fazê-la mal.” (Chesterton, página 170).

Especiaria sem nada a ver com o que faço.

***

(por Antônio FJ Saracura, em Aracaju, 02 de outubro de 2023)

Nota:

Alberto Manguel é escritor, tradutor, ensaísta e editor argentino, nascido em 1948, Buenos Aires. Atualmente é cidadão canadense. Autor de vários livros de não-ficção e análise literária, a maioria deles em inglês. Prêmios: Alfonso Reyes International Prize, Bolsa Guggenheim para Artes Criativas, Estados Unidos e Canadá, Prix Formentor.

 

 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

O LUGAR QUE SÓ NÓS CONHECEMOS, Saulo Bispo,

 

O LUGAR QUE SÓ NÓS CONHECEMOS, Saulo Bispo, Artner, 2021,42p, Ilustrações pelo próprio autor, isbn 978-65-88-562-10-9

 

Saulo Bispo tem todo o direito de ficar triste, decepcionado.

Escreve um livro com extremo zelo. Prosa poética alucinante, trama urdida com originalidade, lições de vida transparentes... Curtinho, somente 42 páginas ilustradas cada uma com desenhos integrados ao texto. Em uma hora, qualquer pessoa lê e entende (porque é tudo dito com clareza) e sairá batendo palmas, queixando-se de si mesmo porque não lera antes.

Mesmo assim, “O Lugar que só nós conhecemos” jaz esquecido na estante da sala, na gaveta da professora, no meio de tulhas de livros comuns.

Que autor não ficaria triste?

***

Três crianças, Georges, Mauricio e Ariel, no bairro da Torre na mitológica Itabaiana, em uma tarde de sol amarelado, estão brincando de procurar tesouros de pirata em um terreno arenoso perto de suas casas. Tem a ver com a genética do povo que sempre está, desde criança, buscando as minas de prata escondidas por Belchior ou as de ouro no mundo todo. E um deles acha uma moeda antiga enterrada.

Os três começam a sonhar...

Comprarão, nas vendas que estão em todo o bairro, um doce de leite de três pedaços, um sorvete de uva de três lambidas, um pão com mortadela que desse duas mordidas para cada um deles...

Então, se lembram da casinha de calçada vermelha, onde habita uma  senhorinha conhecida por dona Anita, e que fica atrás da bodega da esquina. Eles nunca haviam ido lá, mas outros meninos, que tinham mais dinheiro, compravam na casinha, coisinhas de brincar: máscaras de pirata, estátua de cão, aranhas de borracha, passarinho que bica flor... Talvez a moeda do pirata desse para comprar uma coisinha dessas para cada um!

Batem à porta de dona Anita e são expulsos, ela hoje não está para ninguém. Todos temos problemas. Depois, arrependida, dona Anita os chama de volta e olha a moeda. 

E a moeda do pirata é  a chave de acesso a um parque de diversões que os meninos sequer imaginaram haver ali. Dona Anita era uma maga poderosa. 

Eles brincaram e se divertiram tanto que perderam a noção do tempo. Roda gigante, trivolins, barraca de lanches saborosos, sorvetes de uva com cinco lambidas para cada um... Até Georges conseguiu manter em segredo a alça de sua chinela que se arrebentou sem que ninguém percebesse e caísse na risada.

Ao saírem saltitantes e contentes, cada um ganhou um presente de dona Anita. E todos tinham histórias a contar aos amigos, à família, aos desconhecidos, pelo resto da vida.

Gostaram tanto que quiseram retornar depois. Até acharam outra moeda de pirata ao acaso, em um dia de sol bem amarelo. Quiçá a moeda fosse  capaz de destravar a alavanca que dava a partida para a viagem da fantasia.

Bateram à porta de dona Anita, mas não havia ninguém em casa.

Talvez já não fossem mais tão crianças.

***

E Saulo Bispo conclui seu belo poema assim:

“Quanto mais os anos passavam, crescia a lembrança carinhosa daquele lugar que só eles conheciam.”

***

Eu também sou Georges, Mauricio e Ariel. 

Todos nós adultos atribulados somos. Todos, certamente, tivemos, pelo menos, em um momento mágico no tempo de criança. Basta-nos querer lembrar.

***

O escritor, professor, pintor, autor das gravuras do livro, Saulo Bispo, nos deu um presente raro.

O livro serve para todas as idades. Adultos devem ler também. Uma pessoa não precisa ser grande para ser boa. Um livro também.

(Por Antônio FJ Saracura, escrito em setembro de 2023).

Nota de um tempo depois.

Saulo está muito alegre com o sucesso de seu livro, deslanchou de uma hora para outra, escolas o adotam, crianças reconhecem o autor na cidade e correm abraçá-lo.  


 

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

VILA NOVA PARA SER LEMBRADA

 

VILA NOVA PARA SER LEMBRADA, um retrato falado de sua gente, Aderbal Bastos Barroso, JAndrade, 2022, Aracaju, 280 páginas, ilustrado, ISBN 978-6589836-73-6

 

Mais um bom e útil livro publicado pelo escritor Aderbal Bastos, este também, como os outros, tratando do povo ribeirinho do São Francisco, Neópolis e vizinhanças.

E o livro traz na abertura, escrito com letras de destaque o provérbio chinês (que eu não conhecia): “Esquecer os ancestrais é como ser um riacho sem nascente, uma árvore sem raízes”.

Talvez seja uma lição a quem não liga a história e ignora os parentes (mesmo de destaque) que se foram ou mesmo os que estão vivos e até moram perto. Ou seria pedido de desculpa por fazer literatura falando da própria  família e de figuras de sua terra?

Há intelectuais que criticam Carlos Drummond de Andrade por falar de Itabira: “como dói”. Outros criticam Saracura: “talvez estejam certos”.

***

Tenho 75 livros na fila de leitura, muitos há mais de dois anos, e eu, furo a fila, abro Aderbal, me desculpem os outros livros, e não me furtarei em dizer meia dúzia de palavras sobre o novo livro de Aderbal. Especialmente porque trata do que muito me toca: origem, ascendência, família. Fala da Vila Nova do autor, que merece demais ser lembrada. O livro é o retrato falado da gente de Neópolis esquecida, mas que ferve, como se fosse outro Sergipe separado.

***

o livro conta a história do lugar, os fatos que a fizeram cidade importante. Freguesia em 1679, vila em 1733, comarca em 1835, visita do Imperador em 1859, cidade em 1910, troca do nome de Vila Nova para Neópolis em 1960. E no meio desse turbilhão me encontrei com um velho amigo, Tio Ioiô Pequeno, que se chamava Agesilao Batista Martins Soares, nascido em 1880. Viajáramos juntos pelas páginas do belo livro “Ioiô Pequeno da Várzea Nova”, de autoria de Mário Leônidas Casanova, editado em 1979, pela Editora Clube do Livro de São Paulo, e do qual mantenho uma cópia xerox ao alcance da mão. 

Foi uma inesquecível viagem: Ioiô Pequeno me levando pela mão como se eu fosse um curumim amarelo.

Aderbal Barroso que, pelo que entendi, é sobrinho de Agesilao fala das pessoas que fizeram Neópolis grande e boa, no seu modo de ver. Alguns destes até conheci, como o padre Evêncio Guimarães, que diziam ter sido coiteiro de Lampião e é pai de imensa prole. O padre comentava com amigos chegados que o voto celibatário, que lhe impuseram como padre, não era natural.

Conheci padre Evêncio em visita ao seminário de Aracaju. Os padres vinham do interior resolver problemas da paróquia e se hospedavam numa ala especial que o seminário possuía. Nenhum dos seminaristas conversou com o padre Evêncio nesta única vez em que o vi, mas todos o olhávamos, balbuciando interjeições: um baixinho vermelho que criava seu próprio regulamento e possuía três amásias carregadas de filhos. Para uns, era o próprio Satanás, e para mim, um pequeno Deus. “Quer dizer então que padre pode também?”

Há o monsenhor Moreno que ficou 50 anos como pároco. 

Há Jorge Adalberto de Souza, comerciante conhecido como “Jobesa”, nome da empresa quase uma multinacional. Adalberto era filho de Itabaiana como eu. Há barqueiros, comandante de navio, professores, políticos, enfermeiros... Boa parte desses heróis tem laços de sangue com Aderbal (o autor) porque Neópolis é muito sua família, desde os primórdios.

E, por fim, é apresentado o município sob o olhar do jornal “A Defesa”, que circulou (com períodos ausentes) de 1932 até 1987. Uma epopeia invejável.  

Aderbal Bastos Barroso, que é o presidente da Academia de Letras de Neópolis, publicou (fora as obras coletivas) os bons:

No Remanso do Rio (2014),

À Sombra dos Oitizeiros (2017),

Agridoce, Melaço de Cana e Jabuticabas Maduras (2017),

Carvão Aceso (2019),

A Casa que só tinha Janelas (2021).

Fiz resenha de alguns destes, leia-os em: Antônio Saracura Sobre Livros Lidos, basta pesquisar no google.

 

Aracaju, 2023set11, por Antônio FJ Saracura.

 

domingo, 3 de setembro de 2023

O POETA GAUCHINHO, por ele mesmo

 

O POETA GAUCHINHO, por ele mesmo em 15 livrinhos de cordel.







Luiz Alves da Silva (Gauchinho) nasceu em 1964, no povoado Baixa Limpa, em Nossa Senhora da Glória. Conversei com ele por uma hora na praça de Escritores da Flig (Festa Literária de Glória) 2023, na noite de 30 de agosto.

Gauchinho escreve poesia aprumada de quem sabe o que diz e conhece a arte de dizer bem. Manoel D’Almeida Filho, poeta paraibano que morou em Sergipe quase a vida toda, foi quem ensinou-lhe o Abc literário. E João Firmino Cabral, o maior cordelista sergipano, foi seu professor na universidade de poesia.

Gauchinho tem quase 60 anos, mora em sua terra natal, é locutor de rádio e propagandista em feiras livres onde vende sua obra.

 

Vou correr pelos livrinhos que obtive por troca com meus “O Menino Amarelo” e “Minha Querida Aracaju Aflita”, quando me encontrei com Gauchinho na FLIG.

“A Moça que foi ao inferno e dançou com “Nem tô aí”: Um “Inferno de Dante” sertanejo com 19 estrofes somente, todas do nível desta que vem a seguir:

 Mãe que só cuida dos filhos

Depois que finda a novela

Vive traindo o marido

Do jeito que vê na tela

Aqui já tem preparado

Um lugarzinho pra ela.

 xxx

 “Briga de Antônio Silvinho com o negrão desonrador”: Quarenta estrofes que contam a briga de dois valentes do sertão, um justiceiro, Antônio Silvino, e o outro, desonrador de mulher casada. Vejam o que sobrou para o desonrador e não tenham pena, porque esta é a lei amena de lá.

 Pegou comer a galinha

Com pena e osso por osso

Não deixou nenhum pedaço

Depois fez um alvoroço

Silvino com pena dele

Cortou-lhe fora o pescoço.

 xxx

 “O debate do padre Simão com Satanás”: 50 estrofes nas quais a história flui equilibrada. E em um momento, o diabo mostra ao padre Simão, a verdade que o padre até conhece, mas não usa nos sermões que faz contra o pecado. E argumenta o fedorento, cheio de razão:

 Se não houvesse o diabo,

Não tinha a religião

Nem padre ou pastor pregando

Mensagem de salvação

Não tinha céu nem inferno

Castigo ou condenação

 

xxx

 “A volta de Camões e novas perguntas do Rei”: Nunca mais eu havia visto os livros de Bocage e Camões, que me divertiram na infância nas Flexas de Itabaiana. E Gauchinho me presenteia com este Camões, de 79 estrofes, das quais apresento, para encerrar, três:

 

Um dia camões estava

Bastantemente feliz

O rei perguntou-lhe: “O que

Mais cheira neste País?”

Camões disse: “Não é rosa

E nem cravo. É meu nariz.”

 

Camões então me responda

Aqui perante o povo

Este problema que eu trago

Não é velho e não é novo

Não se quebra com marreta

Mas se quebra com um ovo?

 

Camões disse: Senhor Rei

Esta pra mim é comum

Durante o ano tem muitos

Mas eu nunca guardei um

Digo com toda certeza

Que é um dia de jejum.

 

 xxx

 Fiz um rápido passeio pela boa poesia de Gauchinho. 

Eu tenho comigo apenas alguns livrinhos mas o poeta tem mais de cem obras publicadas, que vende nas feiras e por aí.

Em nossa conversa, ele me contou porque tem este apelido: “Cantei sempre meus versos no ritmo do “Churrasquinho de mãe” do cantor gaúcho Teixeirinha. Foi em Itabaiana, quando apresentava um programa na rádio Princesa da Serra. Você é de lá e sabe o tratamento de “carinho” que o povo reserva a seus artistas.”

E um pouco triste com as mudanças que tem sofrido o cordel puro do sertão, fez  uma avaliação em versos da melhor qualidade:

 Tenho notado mudanças

Nos cordéis de hoje em dia

Depois que deixou as feiras

E foi para academia

Se encheu de vaidade

Perdeu a simplicidade

E também a autonomia

 

Já não pode mais dizer

Qualquer coisa abertamente

Já lhe botaram coleira

Para puxar com corrente

O cordel do meu sertão

Nunca foi escravo não

Sempre viveu livremente

 

Como se faz um romance

Sem colocar personagem

O homem branco e o negro

Os animais a paisagem

Um sertanejo valente

Uma mulher diferente

Saci diabo e visagem

 

A bíblia diz que a mentira

Ela tem por pai o cão

Também chamado diabo

Um assassino e ladrão

Por apelido é Lusbel

Mas eu digo que cordel

Não é filho dele não

 

Cordel nunca foi mentira

São poesias versadas

Contando histórias e lendas

De maneiras engraçadas

Servindo de diversão

Depende a ocasião

Faz o povo dá risadas

 

Estou pensando na vida

E no pouco que me resta

Ir perto de quem me ama

Longe de quem me detesta

Só buscar o que é certo

E fugir do que não presta. 

 

 

(por Antônio FJ Saracura, em 2013set02, Aracaju/Sergipe)

 

Nota:

Outros títulos que tenho aqui em minha biblioteca:

“O Itabaianense valente ou Juarez e Guiomar”,

“Desventuras de João Tolo aprendendo a ser sabido”,

“A morte de 16 negociantes na estrada de Porto da Folha”,

“A Briga de Lula com o dragão da Inflação”,

“Satanás confessa que criou o Corona Virus”,

“O doido que ficou rico com a botija do calango”,

“O casamento do diabo e a sorte do camponês”,

“João Valentin e a lenda do Labisomem”,

“As proezas de seu Lunga o rei da ignorância”,

“O casamento do diabo ou a sorte do camponês”.

“O poder da fé”.

 

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

ANTÔNIO XAVIER DE ASSIS, VIDA E OBRA, Carlos Pinna de Assis

 


ANTÔNIO XAVIER DE ASSIS, VIDA E OBRA, Carlos Pinna de Assis e Gilfrancisco, 2020, Edise, Aracaju, 306 il, 21 cm, isbn 978-65-86004-00-7.


 

Os alagoanos invadiram Sergipe e se transformaram (com seus descendentes) ilustres cidadãos, atuando nos diversos setores da nossa sociedade. Como Joubert Uchoa de Mendonça (os pais migraram de Traipu/Jirau do Ponciano para Sergipe), que hoje é dono do conglomerado de educação, Tiradentes.

Há um município que se destaca em nos suprir de cidadãos que brilham aqui além da conta normal: Pão de Açúcar, do outro lado do rio São Francisco, bem em frente de Niterói, povoado de Porto da Folha. Entre os nomes, estão: Edvaldo Nogueira, que é o prefeito de Aracaju; Hamilton Maciel, dono da clínica São Marcelo; Neutônio Machado, desembargador e  presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe; Massilon Silva, poeta repentista da Academia de Cordel; Carlos Pinna de Assis, conselheiro do tribunal de contas do Estado de Sergipe e membro da Academia Sergipana de Letras. São pãoaçucarados com os quais mantive ou mantenho relacionamento social. Tem mais.

Carlos Pinna, o derradeiro da curta lista, faleceu em 05 de abril de 2023 aos 74 anos de idade, de repente. Se é que ainda se morre desse mal hoje. Estive com ele na sessão da academia quando fez o anuncio de algo espetacular como sempre fazia. No final da semana seguinte, saiu a notícia de sua morte, sem ameaça, sem preliminar, sem qualquer chance dos amigos rezarem pela salvação dele...

Como intelectual, Pinna deixou publicado um livro intitulado “Antônio Xavier de Assis, Vida e Obra”, em coautoria com o historiador Gil Francisco Santos, e produziu artigos esparsos em jornais, antologias e Revistas literárias.

E este livro “Vida e Obra de Antônio Xavier de Assis”, (Antônio é o avô de Carlos) saiu impresso pela Edise em 2020, tendo sido divulgado bem recentemente, devido aos impedimentos da pandemia do covid. Ainda bem que temos o livro, pois narra a trajetória heroica de um grande sergipano.  Ainda bem que Pinna conseguiu fazê-lo antes de nos deixar.

O livro está organizado  em cinco partes e um bloco inicial de apresentação.

A apresentação contextualiza o personagem no tempo e no espaço, fornece uma sucinta biografia do mesmo caracterizando sua vinda para Sergipe.

A primeira parte consta de artigos sobre a atuação de Antônio Xavier no período em que morava em Alagoas, com artigos de autoria de Epifânio Dórea e Thiago Fragata.

A segunda parte consta de registros, documentos, ilustrações e depoimentos de autoria dos descendentes e do presidente da Academia Sergipana de Letras, José Andersom Nascimento.

A terceira parte consta da obra publicada na imprensa de Sergipe e de Alagoas (Obra Esparsa) tratando de política, economia, educação, história, agricultura, sociedade...

A quarta parte consta de fac-símilis de dois jornais: A Palavra (1893) e O Trabalho (1896), editados por Antônio Xavier, em Maceió.

A última parte (apêndice) consta de recortes de jornal, foto do sítio Palestina em Aracaju, certidão de casamento, além da biografia dos autores.

Xxx

Antônio Xavier de Assis nasceu em 1870 em Pão de Açucar, Alagoas, e veio para Sergipe em 1899 onde faleceu em 1936. Aqui criou sua família (14 filhos, apenas o primeiro nasceu em Alagoas). Foi gráfico, jornalista, professor, intelectual e político.

Como intelectual, escreveu livro sobre o São Francisco mas não chegou a publicar, e foi jornalista sempre. Como político, atuou em áreas dos governos de Josino Menezes, José Siqueira de Menezes e de Olímpio Campos. Indicado por Josino, foi eleito intendente de Aracaju cumprindo mandato de 1904 a 1906.

O livro traz bons textos de Antônio Xavier, publicados na imprensa ou resgatados de seus manuscritos, como a descrição do lugar onde nasceu e a terra que escolheu para morar. Com o artigo, “Onde Nasceu o arraial de São Cristovão”, quase um poema, destaca o herói Serigy, defensor das terras de Irapiranga da invasão de Cristóvão de Barros. Com o artigo sobre o malfadado empréstimo de 1824-1825, que exauriu nossas finanças até depois da independência, mostrou alcance além das fronteiras provincianas. São diversos artigos tratando de política, de economia, de cultura, de religião, de nosso povo...

O livro se constitui em uma coleção de fontes primárias sobre nossa história, oferecidas aos estudiosos, aos historiadores, aos intelectuais, a todos que nos orgulhamos dos grandes nomes que Sergipe produziu.   

(Por Antônio FJ Saracura, Aracaju 14 de agosto de 2023)  




Aracaju, 14 de agosto de 2023, por Antônio FJ Saracura

domingo, 13 de agosto de 2023

LUGAR DE ESTÓRIAS, Bartolomeu Correia de Melo

 

LUGAR DE ESTÓRIAS, Bartolomeu Correia de Melo, contos, EDUFRN, Natal, 1998,174 páginas, Isbn 85-7273-099-0



 

1.     Um livro difícil de achar

[19/06/2023] Francisco Dantas para Saracura:

Acabo de deixar, na portaria do Palazzo Fiorentino, um livrinho pra você. Ressalto que não quero interferir no seu gosto, dirigir as suas escolhas. Tenho quase certeza que se trata de um livro inencontrável. Outra coisa: a esta altura, os escritores do mundo inteiro estão com o seu ofício ameaçado pela "inteligência artificial". A Amazon já está ensaiando isso. Um texto é encomendado, e o freguês recebe a encomenda prontinha em um minuto.

[16:46, 01/07/2023] Antônio Saracura para Francisco Dantas:

Peguei agora. Ainda. Boa tarde, bom final de semana. O tempo escoou. Eu já me sentia encharcado. Não me lembro de já ter lido algo de Bartolomeu. Mas o nome me soa próximo. Deixe-me chegar em casa.

[20:06, 01/07/2023] Francisco Dantas para Saracura:

Este potiguar foi nosso amigo. No ano 2000 me remeteu um conto inédito, que hoje está em outro livro. Como todo nordestino da nossa época, merecia ser mais divulgado. Já não está entre nós. Em Natal, estivemos juntos algumas vezes.

[20:19, 04/07/2023] Antônio Saracura para Francisco Dantas:

Boa noite, grande Francisco Dantas. Para mim bastava um conto como “Foi?…” ou como “Reza-forte”. Ao final de cada, parei para respirar e não achei ar em canto nenhum. Mesmo assim, resolvi conhecer melhor o poeta Joaquim Cardoso, porque gostei dos versinhos citados por Bartolomeu. Caí em um blog chamado “Emiracultura”, que é o universo de Carmo Bernardes. E, agora, para onde eu vou? Jurubatuba pula de minha estante em meu colo. Ermira me abraça com seus braços bonitos. Quero falar com Carmo Bernardes, mas Bartolomeu me puxa pela camisa.

Olha! Francisco Dantas. Se eu não voltar a falar com você mais, é porque perambulo entre Goiás e Ceará-Mirim, como o “rezador de reza forte” montado no cavalo Vicente ou como o “amarelinho”, garantido pelo quicé afiado e o laço de couro cru.

Não sei o que vou fazer com tanto conto que me mandou. Mas já que mandou...

[20:37, 04/07/2023] Francisco Dantas para Antônio Saracura:

Seu aniversário tá chegando. Você já pode comemorar. Sei de memória: Quando os teus olhos fecharem / Para o esplendor deste mundo / Ei de ficar de joelhos / Quando os teus olhos fecharem / Para o esplendor deste mundo / Hão de murchar as espigas / Hão de cegar os espelhos.

Joaquim Cardoso, engenheiro trabalhou com Lúcio Costa, na fundação de Brasília. Em Belo Horizonte, trabalhou no viaduto Gameleira, que viria a desabar. Poeta retraído, muito bom, solitário.

[20:45, 04/07/2023] Francisco Dantas para Antônio Saracura:

Nosso Bartolomeu nos deixou três livros que guardo com carinho. Assim que me dei conta que tinha uma "duplicata" na mão, me lembrei de você. Ele é único, mais sintético do que o Guimarães Rosa de "Tutameia" e de quem se aproxima.

 2.     O Lugar de Estórias

Há livros assim, feitos no capricho, pela teimosia de um apaixonado pelo jeito de falar puro do povo, jeito que vai se perdendo a cada dia por conta da globalização deflagrada pela televisão e pela web. Pela TI (Inteligência artificial).

 O autor resgata falas estranhas de nossos avós e as guarda em textos que pouca gente conseguirá entender. Mais cientistas da língua que habitam os porões embolorados das universidades e raros saudosistas.

O livro “Lugar de Estórias” é uma destas joias. O autor é Bartolomeu Correia de Melo e descende da elite rural do Rio Grande do Norte, cheira a garapa. Tirou diploma de farmacêutico, de físico e foi professor catedrático da universidade. Da herança usineira, manteve a fazenda Águas de Março no município de Maxaranguape, onde passou parte de sua vida. Mesmo com tanta profissão, conseguiu tempo para caçar palavras, frases, ditos, rhuns, fhuns, e outros cacos e cascalhos que são ouro puro, e compor histórias (são contos) que tive o privilégio de ler.

Seca terrível, fome, sede. A família poupa fiapos de ração para sobreviver. E aparece aquele andarilho montado no jumento chamado Vicente, com ares de Jesus Cristo. Comeu a comida de casa e foi embora deixando como paga um patuá milagroso que costurou na hora, garantia de vida boa, não o abrisse e nem se apartassem dele. 

Na terceira geração, um descendente curioso descosturou o patuá, queria saber o segredo de tanto poder, de tanta sucesso na vida da família. Desdobrou o papelzinho amarelado e leu: “comendo eu e meu Vicente, o resto que arreganhe os dentes”.

Menino-velho era cria da fazenda, trastezinho que ninguém dava valor, o amarelinho de anedota, quase anão. Mas bom de mandado. Também bom no relho de couro cru traçado, que trazia no lugar do cinto. E temido pelo quicé afiado de capar bode de trazia na cintura. E ai houve aquele mal entendido porque o garrote pé duro da fazenda pulou o arame e cruzou com a novilha registrada, por que o filho do patrão desonrou a irmã de Menino-velho. Capa-não-capa-capa-capa. Pode capar, ordenou o patrão certo de que o menino-velho caparia sem falta. Quem perdeu os possuídos não foi o garrote.

Todos os dezessete contos andam no mesmo batido, narrando com o jeito gostoso de falar de e as sabedorias de nossos avós...

Conversas compridas são parecidas; ano sim oito não (como isso tá demorado!); desgraça pouca é meio de vida; em preço de honra não cabe diferença; pituím de cafuzo mata maribondo; não tinha medo de nada, tirante alma e praga de cigano; quem apronta escondido sofre em segredo; ela tinha os beiços finos de cu-de-calango; desconfiado feito menino comedor de vício; alguns silêncios valem mais que muitos gritos; querer tirar prazer do choro alheio, é judiação; penar conformado é meio de virar santo...

E as palavras? Encurtadas, arredondadas, adocicadas a cabaú.

“Lugar de Estórias é a transcendência dos saberes populares. Inventário precioso de falares de nossa gente ainda não atingida pela peste global”, tomo aqui a palavra do professor Inácio Magalhães de Sena, que escreveu a orelha do livro.

 

Aracaju, 12 de agosto de 2023, por Antônio FJ Saracura

 

Post Scriptum:

 

RESUMO BIOGRÁFICO DE BARTOLOMEU CORREIA DE MELO  (O BARTOLA):


Nascido em NatalRN (, criado no Ceará-Mirim (RN), terra de engenhos, cenário temático dos seus escritos. Educado por padres salesianos e irmãos maristas, dedicou-se ao magistério. Graduado em Farmácia (UFRN) e pós-graduado em Físico-Química (UFPE e USP). Adotou agropecuária (Fazenda Aliança) como segunda atividade e literatura como primeiro lazer. Aposentado (UFRPe e UFRN) como professor de Química. Obteve com “Lugar de Estórias”, seu primeiro livro, o prêmio nacional “Joaquim Cardozo”(1997), da União Brasileira de Escritores (UBE). Seu segundo livro, “Estórias Quase Cruas” (2002) foi igualmente bem recebido. Publicou também a estória infantil “O Fantasma Bufão” (2004). Recentemente (2010), teve lançados “Tempo de Estórias”, seu terceiro livro de contos e “A Roupa da Carimbamba”, segundo livro infantil, todos pelas “Edições Bagaço” (Recife). Fonte: site da UBERN e NOTÍCIAS DA LUSOFONIA, DE CEICINHA CÂMARA.