segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

INVENÇÃO DE HUGO CABRET, Brian Selznick,

INVENÇÃO DE HUGO CABRET, Brian Selznick, Isbn: 978-85-7675203-5



Um livro com 530 páginas que li em duas horas. Boa parte do calhamaço é ocupado por desenhos, feitos pelo próprio autor. É, então, uma história mista em quadrinhos e prosa.
E é muito interessante.
O enredo é descomplicado, apenas um menino (Hugo Cabret) age como personagem principal.
Com a morte do pai, que era o relojoeiro e trabalhava em um museu da estação de trem em Paris (Gare Montparnasse,), onde também morava, um tio alcoólatra assume a função e a guarda do menino. Ensina-o a manter o grande relógio e sentir a responsabilidade em fazê-lo. E desaparece. 

O menino leva uma vida dura e clandestina. A estação não se dá conta de sua função de relojoeiro e o persegue. Mas ele é esperto. Acidentalmente localiza a sucata de um robô e dedica-se, nas horas vagas, a reconstruí-lo. Usa peças soltas e outras que rouba em uma loja de brinquedos.
Para sobreviver rouba também leite e suprimentos.
O dono da loja de brinquedos o pega e lhe esvazia os bolsos. Para surpresa, encontra as peças roubadas e um caderno com desenho de um robô no qual há o esquema técnico de funcionamento do mesmo.  Georges (o dono da loja) é um cineasta do passado que vive no anonimato voluntário: é diretor de mais de oitenta filmes de ficção científica. Um mito que o mundo culto acha que morreu mas busca incessante a obra perdida.
 Há uma sobrinha de Georges que agora forma o par romântico do livro. Essencial tempero à qualquer história.
Há sempre a ameaça constante do chefe da estação que quer levar o menino misterioso ao orfanato; a perseguição sem trégua da megera que teve seu leite roubado.
Acho que o livro foi escrito com a intenção de ser transformado em filme. É um roteiro pronto, além de tratar (plano secundário) de uma lenda do cinema “morto”, o dono da loja de brinquedos (Georges Méliès, autor do filme "Viagem à Lua").
O autômato (robô) finalmente funciona e imprime desenho assinando-o com a letra de Georges. Novos personagens aparecem. Um escritor obsecado por cinema e por Méliés faz revelações sobre o mito.
Há ainda muito mais que o leitor pode conferir até no filme lançado em 2012 do diretor Martin Scorcese, e que ganhou cinco Oscars.


(Aracaju, junho de 2012, refeito em janeiro de 2018)

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