TENDAS DA MINHA ALMA, Paulo Rodrigues, poemas e
crônicas, Aracaju, Infographics, 2023, 213 páginas, ISBN 978-65-5730-190-6.
Paulo Rodrigues vive a poesia desde criança (seu pai, Neu Mulatinho, era violeiro e trovador). A poesia está em seu cheiro, postura, aura e em
tudo mais. Ele sempre traz, no bolso do colete da memória, belos poemas — seus
e de grandes poetas —, que declama quando tem chance, como nas sessões das
segundas-feiras à tarde na Academia Sergipana de Letras.
Além de poeta consagrado, é mestre do saber nos vários segmentos da
cultura, especialmente da história e do folclore do Baixo São Francisco, com
destaque para o que toca a Cedro de São João e suas lagoas piscosas, que se
transformam em roças de arroz no tempo certo.
Tendas de Minha Alma, o livro que tenho em mãos, é uma coletânea escolhida de poemas produzidos no dia a dia, diuturnamente (dá essa impressão) desde muitos anos atrás. Canta momentos marcantes, o orgulho pátrio, a gratidão a pessoas do convívio, lições de vida e sentimentos profundos: amor, humor, dor, felicidade... Cada poema de Paulo é uma oração de louvor a Deus e à vida de beduíno nessa travessia sofrida em que todos nos empenhamos; são oásis ou tendas para a alma do poeta e para deleite de quem desfruta de sua companhia.
“Cada verso meu faz-se tenda de minha alma
fonte rutilante de toda poesia...”
(O poeta o diz explicitamente na capa do livro).
Boa parte desta seleção incluída no livro é contextualizada com uma
crônica que narra o mote, a musa e a história do poema. Além dos versos ao
violão ou na declamação emocionada, artes em que Paulo é mestre, temos, também,
um compêndio didático que se presta ao
entendimento da alma do autor e da própria arte da poesia que ele domina.
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Um livro de poesia é como uma biblioteca: nem de todos os livros a gente
vai dar conta de ler e, mesmo dos livros lidos, alguns poderão não ser
absorvidos. Se apenas um dos poemas me apaixonar em um livro, isso já me
satisfaria.
Como dar conta de mil mulheres que me atraem?
Basta-me “Navios Negreiros”, em Espumas Flutuantes, de Castro
Alves; basta-me “Ignorabimus”, em Dias e Noites, de Tobias Barreto;
basta-me “Alma minha gentil que te partiste ”, na obra de Camões.
Não que os demais poemas de cada poeta sejam menores — até podem ser mais belos —, mas em mim não cabem tantos. Eu não poderia dar conta deles, se um apenas já me satisfez. Como aconteceu “Volta, Zé, para o Sertão”, em Sombras de Minha Alma, de Paulo Rodrigues:
“Que fazes, Zé, envolto em folhas de jornal
debaixo de marquise nesta capital
para onde vieste tentar uma nova sorte?
Volta para o Sertão, que te assistiu nascer
Lá acharás o pão que precisas comer
Pois aqui, assim sofrendo, encontrarás a morte...”
Esta é apenas uma das dez estrofes que o poema contém.
De uma maneira ou de outra, cada um dos poemas deste livro de Paulo
Rodrigues (como nos demais livros das bibliotecas do mundo) poderá ser,
aleatoriamente, a tenda para a alma de pessoas iguais (ou não) ao Zé, que passa
frio sob uma marquise qualquer.
(por Antonio FJ Saracura, Aracaju, 22 de setembro de 2026)
(Nota): Revisão rápida feita pelo IA do Google.

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