quinta-feira, 9 de junho de 2016

SACO DO RIBEIRO (RIBEIRÓPOLIS) PEDAÇOS DE SUA HISTÓRIA, José Gilson dos Santos,

SACO DO RIBEIRO (RIBEIRÓPOLIS) PEDAÇOS DE SUA HISTÓRIA, José Gilson dos Santos, Bompreço indústrias gráficas, 1987, 104 páginas, sem isbn



havia escutado falar desse livro, mas, até ontem, quando o encontrei num sebo da rua de Lagarto e o comprei na hora, ele era apenas uma remota referência. Remota e boa referência... As duas ou três pessoas que me falaram dele diziam que eu devia ler, certamente gostaria.

Li de ontem para hoje e estou gratificado. Tanto pela organização da obra, dissecando aspectos da cidade, um a um, condensando-os em blocos, o que me pareceu um método interessante. Gratificado também pela lisura das informações:  concisas, essenciais, conclusivas. Até no que tange à última parte: a política e administração municipal satisfez-me.


O que José Gilson dos Santos conta são fatos que eu sempre quis saber, desde menino, com dez anos por aí. Eu passava com meu pai nas ruas der Ribeirópolis, no carro de boi, indo ou vindo do Riachinho ou de outra fazenda que vendia esterco, e via aquelas casas depredadas, queimadas, pichadas de negro...

Meu pai sempre falou pouco. Ante a insistência, concedia-me apenas: eram casas dos Cearás, um povo valente e pessedista (meu pai também o era),  perseguido injustamente, acusado da morte do prefeito da UDN, Josué Passos.

Eu queria saber mais...

Em outra viagem, menos econômico, deixava escapar que as fazendas dos Cearás haviam sido assoladas, o gado roubado ou morto à bala. As famílias, expulsas do povoado Cruz do Cavalcante onde moravam. E também a família do verdadeiro matador de Josué (uma vingança justa), Zeca da Barra, sofria feroz perseguição. O governador do Estado, Leandro Maciel, assumiu a perseguição aos Cearás e Barras, à seu punhal e fuzil.

Esse povo da Barra mantinha algum relacionamento com meu pai, pois um deles, acho que se chamava Domingos, vendera-nos um pasto na beira do rio Jacaracica onde  nossas vacas de leite babujavam pelo dia.

Agora, com o livro de José Gilson, fiquei sabendo de tudo que passei a vida me perguntando. Um bom negócio ter entrando naquele sebo da rua de lagarto e, mais ainda, comprando o livrinho publicado por José Gilson nos idos de 1987.


Post Scriptum:

A resenha acima foi escrita em algum dia do ano de 2010 (talvez). Na semana passada, no dia (06.06.2016) do lançamento do livro “Três Santos Juninos”, segunda edição, de Luzia Nascimento, fui apresentado a José Gilson. Na verdade, já nos encontráramos em alguma livraria nos finais de tarde das quintas-feiras (O Escritor na Livraria). Eu lembrei vagamente da fisionomia, mas ele garantiu que já falara comigo antes. É que me perco no meio de tanta gente que passa rápido, conversa quase nada e se vai com algum livro que ofereço, ou não.Tive que me desculpar. Certamente, naquela oportunidade anterior, em O Escritor na Livraria, não o vinculei ao livro “Saco do Ribeiro”. Se tivesse feito, jamais esqueceria. O livro pertence ao panteão particular onde mantenho os santos de minha devoção.


Sempre que me desculpo fico confuso, talvez recriminando-me pelo erro que provocou a desculpa. E faço confusão... e misturo os argumentos, desqualifico-os. Botei o prefeito assassinado, Josué, como um dos Cearás sacrificados. Pode uma coisa dessa? E a vingança teria sido por quê, então? Na minha cabecinha de pouco miolo, aventei como causa, o fato dos cearás serem do PSD, partido adversário do novo governador do Estado. E rolou dentro do meu mundo desconexo até “O Sargento Getúlio” de João Ubaldo Ribeiro.  Quem mandou Getúlio passar pelo Saco do Ribeiro com sua encomenda!



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