Para que
introdução, prefácios e apresentações? Neste livro até caberia. Um bem técnico,
mostrando a biografia do autor, ganhador de um prêmio Nobel de literatura, único
em nossa língua.Resenha de livros lidos pelo autor, relatórios de participação em eventos literários, resenhas de terceiros sobre livros de autoria de Antônio Saracura...
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Samarago
Para que
introdução, prefácios e apresentações? Neste livro até caberia. Um bem técnico,
mostrando a biografia do autor, ganhador de um prêmio Nobel de literatura, único
em nossa língua.PADE KIBA, Carlos Mendonça
Pode ser a narrativa da vida sacerdotal de Tolentino Kibaliano
(popularmente designado de Pade Kiba) ou apenas as travessuras de um par de proeminentes
Coleones (atente à origem latina). Em um ou outro, o herói é um sertanejo
vingativo, despachado, que mantém um harém de mulheres apaixonadas, um exército
de jagunços, um rifle de papo amarelo com uma fileira de balas na agulha e uma
língua afiada. Tenório Cavalcante com sua lourdinha e a batina preta. O
caboco Capiroba, comedor de gente, pai de meio mundo de novos brasileiros em
uma interpretação livre do que narra João Ubaldo Ribeiro (Viva o povo
brasileiro). Um novo João Grilo, ou Cancão de Fogo, ou seu Lunga? O quinquagéssimo
segundo cavaleiro da Távola Redonda da corte do rei Arthur. Ou mesmo um Lampião
criado na imaginação do surpreendente escritor itabaianense. Quem sabe, alguém
malandro, desavergonhado, invencível, que os cordelistas podem transformar em um
novo herói da nossa literatura brejeira.sábado, 14 de novembro de 2015
O ENIGMA DO CASARÃO, J. Ribeiro Neto
Desde 2010, quando ganhei o
prêmio Mário Cabral de Crônicas pela Secult com o livro “Minha Querida Aracaju
Aflita”, conheço J. Ribeiro Neto. Seu “Luminiscata o intruso” foi premiado na
categoria romance. Encontros esporádicos nos shoppings da cidade, ele fuçando
os jornais e eu compulsando livros ou plantando sementes em O Escritor na Livraria.
Dedico a J. Ribeiro uma simpatia especial, também pela genética admirável que
tem, ele é neto de José Ribeiro Filho, criador da Casa de Leitura do Santo
Antônio e um dos fundadores da Academia Sergipana de Letras, nos idos antigos. Gerações de intelectuais de renome o
antecederam e estão a seu lado, como seus irmãos Wagner Ribeiro e Marcelo
Ribeiro, poetas, cronistas que engrandecem Sergipe.quarta-feira, 11 de novembro de 2015
RELÓGIO DO TEMPO, José Expedito de Souza
Foi publicado como apresentação no livro
(facebook novembro 2015)
DESVENDANDO SOMBRAS E SONHOS, Martha Hora
Conheço Martha Hora de algum
tempo, declamando poemas nas sessões vespertinas da Academia Sergipana de
Letras, sempre com extrema emoção. Poemas de sua autoria e de poetas
consagrados. Confesso que sempre me arrebatam, e fazem com que a monotonia
endêmica daquelas sessões ganhem um tom
jovial e vibrante para mim. Do mesmo jeito
que as sessões da academia, “O Escritor na Livraria”, das últimas quintas-feiras
do mês na livraria Escariz do shopping Jardins, sem as declamações de Martha
Hora, fica enfadonho, deixa-me a sensação de que não se completou. (Facebook em nov/2015)
PARA SEMPRE ITABAIANA, Maria do Carmo Xavier Costa

Cida, minha esposa e crítica ferrenha de minha literatura (reescreva tudo, ninguém merece o castigo de ler), quando está lendo um bom livro não me deixa em paz. Abre a porta de meu escritório, onde garimpo rimas e brigo com meus fantasmas, e avassala (este é bom demais, simples, claro, belo). Minha cara de enfado, meu olhar irado, as cortinas escuras cerrando meus olhos não a intimidam (pare aquele livro do japonês que está deixando seus olhos pinins e leia Maria do Carmo Costa).
Afasto com uma mão a
cortina cerrada e olho-a. Peremptória, permanece à minha frente, acenando um
livrinho de tons azul/vermelho/e branco, como se fosse a bandeira da Olímpica
de Itabaiana nos gloriosos tempos do penta campeonato estadual de futebol. Percebendo
que me fisgou de jeito, fala baixinho, para me tirar de vez da água (é
pequeninho, do tamanho de um botão, mas encheu meu coração...).
Então, boto uma pedra
sobre as rimas, entrego os pontos aos implicantes fantasmas, mando o japonês
dar um pulo na horta para irrigar os tomateiros novos que já reclamaram...
Vou ler Maria do Carmo.
“Para sempre Itabaiana”
tem poucas páginas, letras de bom tamanho para minha vista cansada, histórias
curtinhas, poemas levinhos. Fui me encantando... Tem conteúdo, contem
substância. Um hino de louvor a um povo valoroso, que tento cantar e não
consigo com a mesma intensidade. Cada crônica traz dentro de si uma gente
vivendo e ensinando como se vive.
Vi Euclides tentando
correr à sua casa, ao alcance de vinte passadas, quem sabe pegar a metralhadora
cheinha de balas que dissera ter.
Arrodeei a praça da
Matriz mais uma vez, na fresca boca de noite, seguindo Ana Isabel, uma das
minhas musas juvenis, agora de bem pertinho, sentindo o perfume de seu corpo.
Emparelhei, segurei sua mão trêmula, e declarei todo o meu amor, fazendo
Geraldo de Zé Gordinho engolir cada letra daquele “você é muito frouxo” que
está grafado na página 159 de “Os Meninos que não queriam ser padres”.
Tirei uma experimenta da
panela cheirosa onde uma menina de doze anos preparava o almoço de toda
família, costurava roupas e ainda tinha tempo de criar um gatinho pintado.
Subi a serra de Itabaiana
pela segunda vez na vida. E como queria fazer na vez anterior, ao ver-me no
topo, perto do céu, corri abraçado a uma nuvem branca que vacilava à toa, na
direção norte, até as faldas do Bom Jardim , quiçá do Zangue ou da Cova da Onça
(me ajude Almeida Bispo!)... Eu queria muito olhar o horizonte longínquo onde o
sítio Saracura estaria me acenando cheio de fama no coração da distinta Terra
Vermelha.
Contei onze burros
arreados com cangalhas de cruzetas altas (um a mais do que os contados na
crônica “Os Burros Inteligentes de Itabaiana Grande”), trazendo, sozinhos, em
fila indiana, sem qualquer condutor ou tropeiro, quartos de boi, do matadouro
para o mercado das carnes. E, depois, vi-os retornando para fazer mais outras
viagens. O meu tio marchante, Chico de Pepedo Saracura, irritado, reclamava,
porque o despachante do matadouro, de sacanagem, mandou, com seus nós
identificadores, um quarto de vaca magra. Vendo-me ali dando bobeira, mandou-me
montar no décimo primeiro, um burro alazão mal amansado, e ir avisar que o seu
boi foi trocado. A crônica “Fragmentos de Memória” (revive a infância e a
adolescência de toda uma geração de ceboleiros maduros nos dias de hoje) acaba
com uma “marselhesa” serrana para a gente sair cantando, reinventando na hora a
melodia, arranjando-a com acordes do hino do Itabaiana.
Os poemas são singelos,
muito ao meu gosto, falam de infância, de solidão, de amizade, de amigos como Saracura
(que honra!): “Escreve sobre sua terra e sua gente /ama o seu povo / quando a
gente acaba de ler / dá vontade de ler de novo”.
O que vou fazer para
dizer ao mundo que leia: "Para Sempre Itabaiana".
(por Antônio FJ Saracura,
da Academia Itabaianense de Letras, em Aracaju, 16/11/2015).
CRÔNICAS SEM TIMIDEZ, Antônio Virman
Dentro do pacote que recebi esta
semana de Virman estavam dois livros caros à minha pessoa literária: O Crime e
Outros Contos, sobre o qual teci rápidas considerações em outro texto,
destacando uma crônica sobre minha obra,
Os Tabaréus do Sítio Saracura. E outro livro, chamado Crônicas sem Timidez,
que agora acabo de ler. Num estilo escorreito, de leitura fácil, Virman
discorre sobre religião, educação,
costumes e manias de nosso povo, política (de leve), percalços, momentos do cotidiano... Em cada crônica ele
nos dá, por conta de sua bondade e erudição, sempre uma referência cultural,
preparando o terreno para encaixar sua queixa, seu ensinamento. Boa parte do
livro compõe-se de textos publicados na saudosa revista Perfil, mas como foi gostoso
revê-los agora vestidos de festa dentro de um livro bonito. Considerações
pertinentes, lições impagáveis de vida...Só lendo Virman para saborear como se deve.
E a surpresa!
Na página 60 bati-me com a crônica “E aí?”, fala da sensação do autor quando leu meu livro “Meninos que não Queriam ser Padres”, lá nos idos de 2011. Enchi os olhos de lágrimas. Mesmo conhecendo o texto da revista Perfil, foi como reencontrar uma pessoa querida depois de quatro anos distante. Quase não mudo a página, usufruindo o mel gostoso que satisfaz qualquer escritor, muito mais do que vender livros, esgotar edições. Uma homenagem, uma distinção impar, que compartilho, óbvio, com minha obra literária. Um passaporte para que ela ande melhor por aí.
