segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A PENA DE MORTE EM SERGIPE E OUTROS RELATOS DA HISTÓRIA, Pedrinho dos Santos

A PENA DE MORTE EM SERGIPE E OUTROS RELATOS DA HISTÓRIA, Pedrinho dos Santos, 2010,Infographics, 325 páginas, sem isbn


Pedrinho dos Santos é meu professor (de banca) nessa delicada matéria chamada História e sempre me trata com distinção. Até citou “Os Meninos que não Queriam ser Padres” na dedicatória do livro. Ajuda e muito a divulgar meu trabalho literário! Ribeirão (persistente difusor de meus livros e da boa cultura) também ganhou um merecido cantinho no capítulo “Conversando com os Amigos”´. O moleque da rua do Roque hoje é o “caga-palácio” mais itabaianista que eu conheço.

Sempre que acabo e ler um livro registro minhas impressões (algumas impublicáveis). Sobre “A Pena de Morte...” arrisco divulgá-las:


Achei o primeiro capítulo (Pena de Morte em Sergipe) com muita informação junta, pelo menos para o meu pouco preparo. Meio à la Saramago (se bem que mais ameno), não estabelecendo paradas estratégicas (sub-títulos) para o leitor asmático tomar fôlego, descansar um pouco. Mas deu para saborear bem e ainda refestelar-me com as citações picantes bem encaixadas aqui e ali. “Bastava a negrinha mostrar o bico do peito para fora, furando o vestido, para Frederico (personagem do caso) sair salivando como o Cão na Moita (JSL) raivoso, com 69 intenções” (Página 83). Só um exemplo.
Assisti os enforcamentos pelo Brasil desde a colônia e mundo a fora. Conheci José da Natividade Saldanha, um poeta como poucos e que lembra Augusto dos Anjos e Gregório Boca do Inferno. E li escondido “O Corsário”, peça rara do aguerrido Apulcro de Castro, que deveria ser o patrono dos jornalistas intrépidos. Até à Espanha Pedrinho dos Santos me levou, onde fiz um ligeiro estágio com o ladrão madrilenho Luiz Candelas, que caiu na besteira de furtar os aviamentos da costureira da rainha. Depois de preso, não teve choro que o livrasse da forca.
Envolvi-me na revolução em São Leopoldo do Rio Grande do Sul, misturei-me aos fanáticos religiosos (Cristussin) e aos debochados (cheira-batinas e poder legal omisso). Os fanáticos levaram a pior, para variar. Só “padim” Padre Cícero prosperou em semelhantes empreitadas!
Apesar de falar de FORCA (ainda bem que acabaram com essa desgraça), a leitura é agradável e ilustrativa, com destaque para os diálogos (ou monólogos) inteligentes colocados pelo autor na boca de seus personagens, alguns na língua crua do povo matuto, que com a disseminação da televisão, já quase não se escuta mais. Quanta música que têm! Outro ponto alto do livro é a rica e coerente iconografia.
Onde Pedrinho consegue cavar tanto ouro?
(Publicado na Perfil 6 /24)


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