sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MURAL DE IMPRESSÕES, João Oliva Alves

MURAL DE IMPRESSÕES, João Oliva Alves, Criação editora, 254 pag., Isbn: 978-8562-576249


João Oliva é uma pessoa de quem gosto desde a adolescência quando foi meu chefe por um tempo na redação do jornal “A Cruzada”. Nos idos de 1965. Foi quem me ensinou um pouco da arte da escrita útil, sem perfumaria desnecessária. Pelo menos tentou me ensinar.
Uma vida inteira, mais de noventa anos de observação científica da nossa vida social, política, religiosa e o que seja mais, faz de João um autor respeitável. Cada crônica (ou ensaio) desse seu livro, carrega dentro uma sabedoria imensa. Eu li compulsivo, precisando reter o mais que pudesse desta crônica, correndo em busca da próxima, com medo que fugisse de mim ou que eu me acabasse antes.

O poeta  precisa apenas de um bom o poema para se consagrar, para que o chamemos de Grande. E João tem mais de um. Mas bastava este Amor de Outono, que começa assim:

“Um amor outonal, cuja beleza calma
Tem o doce langor de um final de tarde,
De folhas a cair, de brisa que acalma,
De sol que ao declinar já não queima nem arde.”

O livro é dividido em três partes. A primeira fala de personalidades sergipanas. A segunda, de literatura e jornalismo (como lamentei não ter publicado meus livros antes para ganhar também uma resenha; ganharia?). A terceira compõe-se de ensaios e memorialística. E o foco das três partes é Sergipe. E a que o autor faz abordagem é muito pessoal, pois João testemunha o que viu, não fala por ter ouvido falar.
Reencontrei-me com meu amigo do tempo de jornal, nos idos de 1965, Acrísio Torres Araujo, quebrando caranguejo nos bares de Atalaia ou visitando um lote perdido no meio dos cajueiros onde hoje é o bairro Jardins. E José Amado Nascimento, que sempre o vi de longe, mesmo quando foi meu professor na faculdade de economia nos idos de antigamente... Sabia do seu valor mas não tinha uma ideia certa da dimensão, que agora consegui.
Em um ensaio, este de abordagem generalista, João fala sobre o desprestígio do pecado. Essa perda de sentido do pecado, que tem a ver com a moral e os costumes, vai nos levar outra vez ao barbarismo. Não se obedece ás leis de Deus, que são as leis naturais, e, na sequência, questiona-se e transgride-se as leis dos homens. Valei-me Senhor São Bento!
E sobre o centenário de Clodoaldo de Alencar. O Ceará é o grande exportador de talentos, inclusive para Sergipe. Clodoaldo, de cepa ilustre, descende de José de Alencar (O Guarani, Iracema) foi trazido por Gracho Cardoso em 1922 e produziu uma plêiade de intelectuais genuinamente nossos.
O Riachão não poderia ficar de fora. Que terra é essa que produziu tantos filhos ilustres? Inclusive João. Os tipos folclóricos desfilam como se fossem os mesmos de Itabaiana na minha infância. O cronista João Oliva os ressuscita o contador de histórias (Pai Jocundo), o poeta popular (Gino Costa), o vendedor de quebra-queixo (Martinho Caga-pilar) o Ceguinho Marcelino.
E o caso acontecido sobre José Araujo Nascimento... Uma decisão insólita e corajosa de ir à casa do desafeto com as mãos estendidas pedindo a paz, sentar-se à mesa, e rezar um padre nosso. É loucura ou é absoluta sanidade?
João Oliva apresentou-me pessoas decentes, que eu precisava conhecer para que minha vida melhorasse muito, como Ursino Ramos e muitos outros. Leia o livro e comemore. Não é sempre que podemos desfrutar um livro tão bom.


Mural de Impressões, João Oliva Alves,Criação editora, 254 pag. João Oliva é uma figura simpática para mim desde a adolescência, quando foi meu chefe, por um tempo, em 1965, na redação do jornal “A Cruzada”. Foi quem me ensinou um pouco da arte da escrita útil, sem perfumaria desnecessária. Pelo menos tentou. Uma vida inteira, mais de noventa anos de observação científica à nossa vida social, política, religiosa e o que seja mais, faz de João um autor respeitável. Cada crônica (ou ensaio) desse seu livro carrega dentro uma sabedoria imensa. Eu li compulsivo, precisando reter o mais que pudesse desta, correndo em busca da próxima, com medo que me fugisse ou que eu me acabasse antes. A começar com o poema de abertura em homenagem à sua esposa, simples e belo, uma lição aos jovens poetas. (Corra ao livro!). (Perfil ano 17 numero 2)




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