quarta-feira, 25 de novembro de 2015

REFLEXÕES FILOSÓFICAS SOBRE A TOLERÂNCIA E A INTOLERÂNCIA,Cleiber Vieira,

REFLEXÕES FILOSÓFICAS SOBRE A TOLERÂNCIA E A INTOLERÂNCIA,Cleiber Vieira,InfoGraphics Gráfica e Editora,2011,128páginas,21cm,Isbn:  978-85-909511-1-7



Cleiber Vieira, economista de formação e profissão, parece-me  um prior  de  monastério, pelo seu tipo circunspeto e solene. Conheci-o há pouco tempo (algum mês de 2009), em um evento nos “Correios”,  quando eu divulgava meu livro “Os Tabaréus do Sítio Saracura”.  Ele estava lá e, de relance,  fez-me  lembrar também o diretor espiritual do seminário (padre Urso), personagem de outro livro que escrevi, “Meninos que não queriam ser Padres”.  

 Depois desse encontro ligeiro e difuso, vi-o mais duas ou três vezes, quando tentei entabular conversa, com meu jeito irreverente, e tive que recuar cuidadoso. Percebi que ele transitava por uma camada bem acima da que costumo arrastar minhas alpercatas rotas. Eu teria que descobrir o atalho certo à  seus sítios protegidos.

Só bem recentemente, depois de sua posse na presidência da Associação Sergipana de Imprensa é que, finalmente, consegui (acho) alcançar a sua nuvem e sentar-me na beiradinha, ainda um tanto  relutante e  com medo de escorregar.  

Este seu novo livro “Reflexões Filosóficas sobre a Tolerância e a Intolerância” (já publicou anteriormente dois outros, “O Peregrino da Fé” e “A Crise Existencial do Morgado”) atesta parte de meu julgamento apressado. Cleiber Vieira transpira filosofia e a sua obra  busca nos alertar dos perigos na vida, tecendo considerações sobre as dúvidas, as posturas,  os  tropeços que afetam o nosso dia a dia. Muito mais isso do que nos ensinar a aplicar os tostões adequadamente para que não  virem pó, como faria um economista, que o sou também.

Confesso que me assustei (talvez não tenha captado o real sentido, o que não é de admirar!) com algumas colocações, como a da  página   81, que diz que “até mesmo o adúltero  é um viciado, um violento, um intolerante”.  Ora! Adúltero (salvo melhor juízo) é  o homem ou a  mulher que comete infidelidade conjugal (adultério), que é uma  prática  antiga e cada vez mais comum, difundida  em novelas inocentes da televisão. Até incentivada! E os adjetivos “viciado, violento, intolerante” cheiraram-me aos sermões dos frades capuchinos nas santas missões no Pé do Veado, de minha velha Itabaiana de moleque acanhado.

Mas garanto que os sustos foram irrelevantes diante das lições ensinadas por esse  filósofo sergipano, Cleiber Vieira,  em sua aula magna ,  “Reflexões Filosóficas Sobre a Tolerância e a Intolerância”. 

Uma honra desfrutá-la, com todo o respeito.

(publicada na Perfil 14/08)



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