quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TRILHANDO MEMÓRIAS, Ana Maria Fonseca Medina

TRILHANDO MEMÓRIAS, Ana Maria Fonseca Medina, J. Andrade, 350 páginas, sem ISBN



“Trilhando Memórias” consolida um extenso trabalho de pesquisa e compilação de dados sobre uma família e a terra onde viveu e ainda vive.  Há capítulos áridos para quem não pertence ao clã ou conviveu com ele, e, outros extremamente agradáveis até para estranhos como eu. Em alguns, Ana Medina gastou latim à vontade, mergulhou no lirismo de tal modo que a realidade pareceu fantasia (“As bonecas de milho pendiam no brincar do vento, balançando-se aflitivamente, numa dança mítica. Do jardim e do pomar emanavam olores especiais”). Em outros, foi uma repórter cirurgiã, incisiva, narrou fatos. Marquei duas vezes como sendo “muito bom”, o capítulo “Raymundo, único e eterno amor”.
A autora leva-nos aos antigos engenhos e nos apresenta aos coronéis que construíram o lastro do Brasil. Atravessa duras crises e momentos de opulência. Pulsa como as linhas do telégrafo e com os trens do Leste Brasileiro. Cana, sisal e, depois, as laranjas doces de Boquim.  Há uma nobreza implícita e até explícita em cada frase. Uma nobreza que decorre da luta digna pela sobrevivência. As citações especialmente as que saem da boca do povo simples (cantorias de João Gago, por exemplo) dão um sabor especial à obra. Além de um livro de memórias, de história, é também o repositório de homenagens justas notadamente à Dona Mariah (com toda minha admiração).
Bom seria se toda família tivesse seu historiador como a família Fernandes Fonseca tem Ana Maria Medina.
Pra finalizar, eu faço como o mestre da zabumba que, parando ante uma tela onde aparecia o patriarca Raymundo Fonseca “tirou o chapéu fez as mesmas vênias que fazia quando ele (Raymundo) estava no meio de nós, no alpendre da casa do Garangau (deve ser o mesmo Garangau da histórica Itabaiana Grande e hoje pertencente ao Campo do Brito, onde viveu Cornélio Fonseca, bisavô ou trisavô de Floriano Fonseca, esposo de minha prima, Mônica de tia Caçulinha). Não contive as lágrimas (eu também, a exemplo da autora) voltei à infância e vi quão poderosa é a  cultura de minha gente(sic)”.


Nota de leitura: 
Trilhando Memórias,Ana Maria Fonseca Medina, 350 folhas, sem ISBN, Gráfica J. Andrade.
A autora leva-nos aos antigos engenhos e nos apresenta aos coronéis que construíram o lastro do Brasil. Duras crises, momentos de opulência. O enredo pulsa como as linhas do telégrafo e geme como os trens do Leste Brasileiro. Cana, sisal, laranjas doces de Boquim.  Há uma nobreza implícita e até explícita em cada frase. Uma nobreza que decorre da luta digna pela sobrevivência. As citações, especialmente as que saem da boca do povo simples (cantorias de João Gago, por exemplo), dão um sabor especial à obra. Além de tudo o mais (história, memória) Ana entoa uma ode louvor a sua mãe, Dona Mariah. Bom seria se toda família tivesse seu historiador como a família Fernandes Fonseca tem Ana Maria Medina.
(Publicado na revista Perfil)



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