sábado, 23 de dezembro de 2017

MORTE NO RIO SÃO FRANCISCO, Tadeu M. Almeida

MORTE NO RIO SÃO FRANCISCO, Tadeu M. Almeida, 2017, Aracaju, Infographics, 99 páginas, isbn 978-85-9476-115-6



Há três anos, Tadeu, colega da faculdade de Economia dos idos de 1970, que vivia meio afastado, também pelo motivo de um ter ficado fora de Sergipe alguns anos, procurou-me, ia publicar um livro também. Sabia que eu era escritor, lera meu livro Meninos que Não Queriam ser Padres e fez considerações pertinentes que buscarei implementar em uma provável nova edição.
Eu me surpreendi, não sabia do pendor de Tadeu, sempre economista e auditor de tributos, além de advogado.
Andava meio recluso, ele mesmo me dissera, morava em um sítio às margens do rio São Francisco, não sei bem em qual município. Vinha a Aracaju cuidar da saúde do corpo e do bolso apenas.


O livro transitava pela filosofia e se chamava Filosofando o Cotidiano, que saiu impresso e à cores o que me impressionou pelo zelo do autor em comunicar bem. No ano seguinte, saiu outro linho do mesmo naipe, “O Universo de Deus” e, em 2016, “A Consciência de Dagoberto” do qual fiz o prefácio, e há uma resenha neste blog falando dele.
Este ano, para não perder o ritmo anual, Tadeu lançou mais um livro.  Um livro diferente mais ou menos: “A Morte no rio São Francisco”. Também curtinho, um conto policial. George Simenon também escreve livros leves e curtinhos e neles o inspetor Maigret faz extrepolias como em alentado romance.
É uma tarefa dura ao escritor de narrativas policiais escapar da monotonia, das obviedades.
“Morte no Rio São Francisco” é bem narrado. Coerente, consistente até onde pude sentir. Conta o assassinato de um fazendeiro importante e a cuidadosa investigação feita pelo delegado de carreira, Pascoal, para elucida-lo.
A linha de investigação é retilínea e, mesmo descrevendo passos óbvios, o livro consegue prender o leitor até o final, já anunciado.
Um ponto a ressaltar é que a ação se desenrola aqui mesmo em nosso mundo sergipano, em um cenário rico que poderia ser muito mais explorado pelos autores da terra.
Quantos mistérios não povoam as locas das beiradas do rio São Francisco quando entra em Sergipe e caminha até o oceano querendo recuar a cada arrojo? Tadeu Almeida promete desvendar muitos no ritmo que vem produzindo.
Talvez Pascoal ainda seja um famoso detetive da literatura. E Tadeu, um Simenon, Agatha, Doyle ou Le Carrè.

Aracaju, 23 de dezembro de 2017


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